Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 21/10/2019
Realidade distante
Um dos legados mais importantes deixado pelo Acordo de Paz, da Grécia Antiga, foi a suma importância de manter preservada uma sociedade na qual a inclusão dos indivíduos fosse uma realidade consolidada. No entanto, a fragilidade de agentes sociais brasileiros na valorização do ensino à distância demonstra a negligência desses membros em relação a premissas milenárias. Com efeito, o combate à problemática pressupõe o apreço a valores fundamentais aos indivíduos, a saber, a democratização do ensino.
A princípio, é fundamental entender a necessidade da educação à distância como mecanismo de inclusão pedagógica. Nesse sentido, Paulo Freire afirma que o acesso à educação deve ser um artefato maleável a qualquer indivíduo e a qualquer região do país. Sobre isso, a desvalorização do ensino online – evidenciada, por vez, pela ausência de infraestrutura ou incentivo econômico – expõe a omissão de membros brasileiros face às ideias de Freire. Assim, não é razoável a adoção de medidas que, em tese, valorizem a isonomia na educação.
Ademais, é coerente analisar a importância do estudo à distância como, sobretudo, fruto da ineficaz existência de instituições escolares presenciais. Nessa ótica, dados do ‘‘Jornal Nexo’’ afirmam que, ainda na atualidade, mais de 10% dos jovens brasileiros encontram-se ausentes das escolas face a enigmas sociais, como a ausência de redes de ensino nas diversas regiões do país. Acerca disso, o cenário de evasão torna visível a coexistência de um Estado ineficaz no apreço igualitário à educação. Dessa forma, esse contexto enquadra-se no que o pensador Zygmunt Bauman entende como ‘‘Instituição Zumbi’’: um poder que mantém a sua forma, mas não cumpre sua função social.
Depreende-se, portanto, essencial a adoção de medidas que, em curto prazo, firmem a educação à distância como instrumento de inclusão e igualdade de oportunidades. Logo, compete ao Ministério Público aumentar investimentos destinados ao desenvolvimento de maiores redes informacionais que, por vez, tornem a promoção da pedagogia à distância um viés democrático e acessível a todos os indivíduos. Por conseguinte, cabe à função ativa da população cobrar tais agentes a cumprirem esse papel de investimento, a fim de construir um meio mais transparente em aplicações de capitais e justo com a sociedade civil. A partir disso, seria construído um país apto com a democratização do ensino e, assim, o legado deixado pela Grécia Antiga deixaria de ser uma realidade distante.