Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 27/10/2019
Em 1977, como fruto de uma parceria entre a Rede Globo e a TV Cultura, era lançado o Telecurso, uma série de aulas em vídeo sobre diversos temas do ensino médio e que viria a se tornar um dos primeiros esforços de Educação à Distância (EAD) no Brasil. De lá pra cá, essa modalidade de ensino cresceu muito no país, contribuindo para a democratização do saber mas carecendo de fiscalização e incentivos adequados.
Antes de tudo, faz-se necessário compreender o importante papel que o EAD cumpre na ampliação do acesso ao ensino. Acerca disso, o nobel de economia de 1979 Arthur Lewis postula que a educação não é um custo, e sim um investimento com alto retorno para as sociedades em que é aplicado, uma vez que possibilita maior inserção no mercado de trabalho e ascensão social. Sendo assim, o EAD age aumentando o alcance desse processo, atingindo inclusive camadas mais pobres da sociedade, já que apresenta mensalidades mais acessíveis. Por todos esses fatores, o número de matrículas nessa modalidade vem crescendo nos últimos anos, passando de 500 mil em 2019 para quase 7 milhões em 2017 - de acordo com informações da Associação Brasileira de Ensino a Distância-, contribuindo significativamente para a formação de novos profissionais.
Entretanto, os ganhos citados anteriormente são cerceados pela ausência de fiscalização e incentivos pertinentes, que acarretam em uma perda na qualidade do ensino. Nesse sentido, dados da ONG “Todos Pela Educação” indicam cerca de 75% dos formados em cursos a distância obtêm notas inferiores a 50% em exames de proficiência realizados pelo Ministério da Educação (MEC). Em cursos presenciais, essa cifra cai 10 pontos percentuais. Diante desse cenário, faz-se necessário uma ampliação da qualidade dos serviços ofertados, como aponta Fábio Reis, diretor de inovação da SEMESP - entidade que representa faculdades particulares em São Paulo-, que afirma que é preciso encontrar um equilíbrio entre os baixos custos e a eficiência dos métodos aplicados no EAD.
Portanto, do exposto depreende-se que o EAD amplifica o acesso à educação no Brasil, mas tem seus resultados mitigados pela fraqueza das fiscalizações e dos investimentos. Frente a isso, urge que o governo, através do MEC, fortaleça instituições que oferecem essa modalidade de ensino, capacitando professores e criando diretrizes básicas a serem seguidas por todos os cursos a distância, a fim de reduzir a disparidade com o ensino presencial nos testes de proficiência. Paralelamente deve, por meio desses testes, fiscalizar essas instituições, punindo por meio de sanções aquelas que obtiverem resultados abaixo do estipulado, visando garantir maior qualidade do ensino. Só com ações assim, o país desfrutará do retorno de seus “investimentos” nessa área, como estipulou Arthur Lewis.