Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 23/10/2019

Na obra de Alice Walker, em “A cor púrpura”, a personagem Celie, com o intuito de se comunicar com a irmã à distância, é alfabetizada em meio a rotina das tarefas domésticas, e sempre na espera de um novo livro para que aumentasse o seu aprendizado. Fora da ficção, apesar dos esforços para intensificar o acesso à educação, a sua prática enfrenta desafios, ainda mais com a crescente oferta de Educação à Distância (EaD) no Brasil. Tal problemática, ocorre devido, entre outros fatores, à negligência por parte do governo no ensino da população e ao crescente preconceito contra os profissionais formados por EaD’s.

Em primeira análise, é importante ressaltar a ineficaz ação governamental para proporcionar melhoria na qualidade e na dispersão do saber de maneira digital, pois de acordo ao artigo sexto da Constituição Federal de 1988, todos tem direito à educação de qualidade, sendo defendida, por lei, uma eficaz adesão do ensino à distância em instância legal. Sob tal ótica, conforme dado publicado pelo jornal “BBC Brasil” em 2018, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) mostra que os cursos de ensino presencial ainda têm melhores pontuações em comparação aos que são realizados via “online”, comprovando a necessidade de melhoria nesses sistemas de aprendizagem pelos agentes governamentais, pois segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir a aplicação da lei.

Em segunda análise, a discriminação sofrida pelos alunos formados pelo ensino à distância, quando estes procuram trabalho nas áreas de formação, também pode ser apontada como responsável pelo problema. Nesse contexto, segundo dado publicado pelo jornal “O Globo”, mais de 40% dos jovens não trabalham na área de sua formação, consequência que se intensifica com diplomas concluídos em cursos digitais. Desse modo, é essencial que o preconceito seja rompido para garantir a realocação destes profissionais no mercado de trabalho.

Desse modo, torna-se evidente a necessidade de impor ações governamentais para a melhoria da qualidade no ensino à distância, e a inserção do consciente coletivo de que este método pode formar profissionais tão capacitados quanto os de modalidade presencial. Para isso, o Governo Federal, como maior competência administrativa, deve executar com integridade os artigos da Constituição Federal, por meio de projetos de inspeção da qualidade e investigação das consequências sociais, a fim de proporcionar maior confiabilidade aos alunos e empregadores, através de critérios que correspondam, de maneira bem definida, as habilidade e performances dos futuros formandos. Apenas assim, como em livros de ficção, muitas vidas serão transformadas.