Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 22/10/2019

No século XIV, Francisco Petrarca, poeta e humanista italiano, contrariou os costumes da escrita puramente em latim e passou a inserir a língua italiana em seus livros. De forma análoga, hodiernamente, a Educação a Distância (EaD) no Brasil tem superado formas exclusivas de estudo (presencial) e oferecendo uma nova alternativa para os brasileiros. Procurada principalmente por aqueles que trabalham e/ou cuidam da casa e dos filhos, a EaD precisa ser discutida, substancialmente, em dois âmbitos: o conforto/comodidade proporcionado por ela e a dependência dos meios tecnológicos para os estudos.

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Por meio deste trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, vê-se que a mobilidade urbana é um problema no Brasil. De acordo com o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), o paulistano passa o equivalente a 45 dias por ano no trânsito. Mediante isso, se nota a importância da EaD para essas pessoas, que podem gastar esse tempo que passam no trânsito para estudar, por exemplo, vendo vídeo aulas. O conforto de poder estudar em praticamente todos os lugares é um fator muito considerado na hora de escolher entre as modalidades presenciais ou a distância (e suas variações).

Como disse o empresário Steve Jobs, fundador da Apple, “a tecnologia move o mundo”. A importância dessa frase pode ser retratada quando se fala da educação a distância, visto que ela existe, fundamentalmente, pelo avanço de diversas áreas do conhecimento científico, como a informática. Entretanto, a educação a distância se limita a quem tem acesso à internet e computadores de uma qualidade relativamente boa. De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Brasil é o 72° colocado em um “ranking” que avalia a inclusão digital em 150 países, concluindo que aproximadamente 50% da população tem acesso à internet, computador em casa, telefone fixo ou celular - não necessariamente todos juntos.

Infere-se, portanto, que a educação a distância é uma alternativa viável para muitos brasileiros, porém, medidas devem ser tomadas para que a democratização do EaD ocorra. De acordo com o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a educação é direito de todos e é dever do Estado e da família. Nessas proporções, cabe ao Governo Federal implantar melhorias na área da tecnologia, incentivando empresas a expandirem seu mercado consumidor, levando internet e aparelhos tecnológicos para o interior a um preço acessível, possibilitando que mais pessoas tenham acesso aos benefícios do EaD.