Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 22/10/2019
No filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, dirigido por Peter Weir, é retratado o cotidiano distópico do professor John Keating na tradicional instituição Welton e as dificuldades enfrentadas por ele na implementação de sua didática. Nesse contexto, o educador utiliza métodos inusitados para incentivar os alunos e mostrar que a aprendizagem vai além dos pilares da escola. Fora do ambiente ficcional, é fato que a realidade apresentada por Weir pode ser relacionada com a educação a distância no Brasil (EaD), uma vez que essa enfrenta dificuldades de inclusão social e cibernética bem como a ausência de políticas públicas eficazes na fiscalização dos métodos utilizados.
Em primeira análise, embora a Constituição Federal delineie como direito de todos o acesso à educação de qualidade, é evidente as dificuldades enfrentadas por várias regiões afastadas em obter o ensino tradicional e EaD, em virtude do preconceito acerca do último. De maneira análoga ao exposto, a “teoria da complexidade”, proposta pelo pedagogo Edgar Morin, defende que a educação deve ocorrer de forma transdisciplinar, ou seja, utilizando os mais diversos tipos de conhecimento e modalidades de propagação. Em contrapartida, a ideia de superficialidade que marca a internet desloca-se para o ensino a distância e, ao invés de assistir pessoas, inibe o acesso ao conhecimento. Ademais, a falta de inclusão digital -sobretudo nas regiões periféricas- é um agravante na situação. Logo, embora um grupo aceite essa forma de ensino, a ausência de computadores impede o acesso.
Outrossim, a desconfiança do público é agravada pela qualidade inconstante dos cursos EaD, fruto da ausência de órgãos específicos que fiscalizem e regulem o ensino no meio virtual. Sob tal ótica, apesar de uma pesquisa do Censo de Educação Superior afirmar que o Brasil possui quase 2 milhões de matrículas na aprendizagem a distância, sendo 20% das graduações do país, a falta de monitoramento gera um ambiente acadêmico contestável em algumas situações. Nesse viés, o artigo 205 da Carta Magna, diversas vezes, é violado e cursos de qualidade duvidosa ofertados à população tupiniquim.
Destarte, frente à provectos fatores sociais e negligência estatal, a educação a distância enfrenta desafios em voga na sociedade. Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos administrativos e de manutenção do ensino, deve adotar estratégias no tocante ao acesso limitado da internet em diversas áreas e à fiscalização ausente em boa parte dos cursos a distância. Essa ação pode ser feita por meio da disponibilização de mais subsídios voltados ao investimento em bens tecnológicos e computadores oferecidos à população, além da adoção de métodos de vigilância e verificação da qualidade ofertada nas instituições virtuais. Ademais, com a acessibilidade cibernética e procedência garantida pelo Estado, a EaD será valorizada e os ideais de Morin preservados.