Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 24/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o ensino à distância (EAD) no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Logo, esse cenário antagônico é fruto da baixa qualidade dos cursos ofertados, advinda da pouca formação dos discentes. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, pois a educação à distância tem ótimas perspectivas sobre a democratização do acesso ao mercado de trabalho.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o sucateamento do ensino remoto, deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne na criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Acerca dessa lógica, conforme o Artigo 205 da Constituição Federal, o Estado é responsável por garantir uma educação de qualidade para todos, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Sob essa ótica, devido ao distanciamento do Ministério da Educação, os professores dessa modalidade de ensino não são submetidos a avaliações periódicas, consequentemente eles acabam por não adquirir habilidades para o ensino digital. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal urgentemente.
No entanto, apesar das dificuldades do ensino a distância, é imperativo ressaltar que ele acaba com a marginalização de populações em vulnerabilidade socioeconômica. A partir desse pressuposto, dados da Associação Brasileira de Ensino a Distância revelam que 60% dos matriculados são advindos de escolas públicas. Além disso, as mensalidades do EAD são muito acessíveis, tem-se como exemplo o Centro Educacional Anhanguera, no qual os valores se aproximam de 250 reais. Portanto, melhorando a qualidade dos professores, a modalidade se posicionaria como uma arma poderosa para inserir indivíduos no mercado de trabalho.
Destarte, urgem esforços do Estado para reverter a situação. Com intuito de mitigar a baixa qualidade dos cursos do ensino remoto, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em professores mais qualificados, por meio de capacitações e avaliações mensais. Em síntese, os discentes serão submetidos ao aprendizado de metodologias de ensino digital, ademais, ao final eles serão testados, aqueles que não forem aprovados, deverão continuar aprendendo para depois ensinar os docentes via internet. Dessarte, os cursos serão excelentes e todos terão acesso a educação de qualidade, assim a coletividade alcançará a Utopia de More.