Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 24/10/2019
Crescimento econômico, desenvolvimento social e redução da desigualdade socioeconômica são apenas alguns dos grandes benefícios da ampliação da educação à distância no Brasil. Entretanto, tais efeitos positivos do “EaD” encontraram obstáculos para a sua concretização, principalmente a negligência sociopolítica. Nesse contexto, é crucial um esforço mais significativo do Poder Público e de campos culturais do corpo civil, com o intuito de promover esse direito constitucional à população.
A priori, cabe salientar como a apatia política contribui para o descaso ao ensino virtual. Sob essa óptica, embora sejam evidentes os avanços legais de prerrogativas inerentes ao âmbito educacional, como a criação do Ministério da Educação e a Lei 9.394, nota-se, na prática, a insuficiência de tais mecanismos. Prova dessa relação antagônica e retrógrada são os dados do IBGE, os quais mostraram, em 2019, uma redução no número de alunos integrantes dessa modalidade no mercado de trabalho, fato que amplia a desigualdade social. Destarte, ao ferir frontalmente princípios institucionais e auxiliar na permanência desse quadro, é substancial a reformulação da postura governamental.
A posteriori, a desinformação corrobora para a persistência do dilema. Nessa linha de raciocínio, o baixo número de debates eficientes em campos midiáticos e comportamentais- a exemplo da mídia e das escolas- ocasiona a apatia de grande parcela populacional, favorecendo, assim, a transformação das dificuldades do ensino a distância em um problema restrito às vítimas. Sob esse aspecto, tal realidade contraria a lógica do filósofo John Rawls, o qual alegava a importância de discussões sociopolíticas em áreas públicas para a materialização de uma sociedade justa e democrática.
Em síntese, com o objetivo de incrementar a qualidade no ensino a distância, o Ministério da Educação-órgão responsável pela conduta cidadã- deve criar, por meio de parcerias público-privadas e dedução fiscal para as empresas colaboradoras, projetos de incentivo à permanência de estudantes no meio digital, bem como a criação de projetos de fiscalização mensal do ensino para facilitar a entrada no mercado de trabalho formal. Além disso, compete às organizações sociais, por intermédio da mídia engajada, maximizar as discussões com especialistas socioeconômicos, os quais devem propagar a necessidade e os benefícios de uma educação não presencial no corpo civil, com o fito de fomentar o pensamento crítico e solucionar o atual cenário de ensino no país.