Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 24/10/2019
No livro “O Mundo de Sofia”, do norueguês Jostein Gaarden, a personagem que dá título à obra recebe gradativamente um curso de filosofia por correspondência. Em situação análoga à de Sofia, existem muitas pessoas espalhadas pelo Brasil, ou seja, indivíduos que investem nos estudos por meio de cursos à distância. Isso ocorre por causa da dificuldade de deslocamento até as escolas presenciais e, também, devido aos valores mais acessíveis das mensalidades, e tem como consequência o aumento do acesso ao conhecimento por grande parcela da população brasileira.
A princípio, é válido ressaltar que a propagação do ensino à distância reflete problemas sociais pertinentes no País, tais como os impasses que as mulheres encontram para aprimorarem os estudos e ingressarem no mercado de trabalho e o baixo poder aquisitivo de parte considerável dos brasileiros. Prova disso é o censo realizado em 2017 pela Associação Brasileira de Educação à Distância (ABED), que revela o perfil dos alunos dessa modalidade: cerca de metade desses estudantes são mulheres entre 26 e 40 anos que voltaram a estudar depois de adultas. Outro dado divulgado por essa pesquisa é o de que 90% dos alunos também trabalham, não podendo dedicarem-se integralmente aos estudos.
Nesse contexto, é notório que o ensino à distância contribui para a democratização da educação no Brasil, visto que pessoas antes impossibilitadas de frequentarem cursos presenciais têm, hodiernamente, a disponibilidade de conteúdos qualificados das mais diversas áreas. Dessa forma, observa-se a construção de um corpo social mais íntegro e harmônico, pois, como disse o filósofo brasileiro Paulo Freire, sem a educação a sociedade não passa por transformações positivas.
Portanto, visando evitar que a educação do Brasil seja equivalente à de Roma Antiga, isto é, restrita a elite, é necessário que medidas sejam tomadas. Logo, levando em conta as vantagens da educação à distância (flexibilidade, preços, entre outros), é preciso que o Ministério da Educação - provedor da formação educacional de todos os brasileiros - desenvolva um programa de ampliação dos cursos à distância que será implantado, principalmente, nas áreas mais remotas do País, por meio da instalação de polos nas próprias escolas dessas cidades, com o intuito de que todos tenham acesso ao ensino. Assim, a educação transformará a compreensão de mundo de muitos indivíduos, tornando-os cidadãos mais éticos e comprometidos com o bem-estar do corpo social, semelhante ao que aconteceu com Sofia.