Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 11/10/2021

A TV Educativa (TVE) foi o primeiro modelo brasileiro de educação à distância (EAD) implementado no país na década de setenta. Desde então, o novo modelo educacional vem ganhando espaço, tendo o maior crescimento percentual e numérico, nos últimos cinco anos, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Entretanto, mesmo após anos de sua criação, o EAD ainda encontrada desafios para sua efetiva implementação no país, em virtude, sobretudo, da falta de autonomia dos estudantis somada à distribuição desigual de acesso à internet.

Nesse sentido, é importante ressaltar, primeiramente, que o legado do modelo convencional de educação impede a resolução da problemática. Sob esse aspecto, o filósofo Schopenhauer, em sua tese, disserta que o campo de visão de um indivíduo determina sua percepção acerca do mundo. Trazendo esse aspecto para a temática, no entanto, desde do Iluminismo, o modelo de educação que se expandiu e vigorou, no Brasil e no mundo, esteve atrelado à figura do professor como único detentor do conhecimento. Esse processo impediu o desenvolvimento de habilidades de autonomia e foco no processo de aprendizagem dos alunos. Em decorrência disso, segundo dados de uma pesquisa divulgados pelo “El País”, a maioria dos alunos acredita não ter foco e disciplina para cursar EAD.

Ademais, outro fator que corrobora a manutenção desse cenário é a falta de acessibilidade no país. Sobre essa perspectiva, a filósofa alemã Hannah Arendt, em sua teoria, descreve que a infraestrutura, em um sociedade, deve ser preservada para que se assegurem o direito do exercício da cidadania. Contudo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em seu anuário de 2019, demonstrou que apenas 60% da população tem acesso à internet, sendo apenas 27% com acesso à banda larga - velocidade necessária para ter uma experiência satisfatória no EAD. Dessa forma, vê-se que o preceito preconizado pela pensadora não é atendido na prática, o que impede que milhares de pessoas possam ter acesso à educação e, consequentemente, a uma melhor condição de vida.

Fica claro, portanto, que a ausência da cultura de autoaprendizagem atrelada à falta de acesso ao mundo digital dificultam a safistatória aplicação da EAD. Urge, logo, que o MEC, por meio de parcerias com o Ministério do Desenvolvimento Regional, aloque recursos para a criação de salas de informática em todas as cidades do país, Tal ação, que tem como objetivo ampliar o acesso à internet no país, pode ser acompanhada de parcerias público-privadas, em que centros educacionais, por meio de isenções fiscais do governo, possam disponibilizar, em troca, salas com computadores para que alunos possam cursar cursos à distância. Dessa maneira, será possível criar uma nova cultura de aprendizagem, por meio da prática dos novos alunos, e, enfim, fazer avançar com o EAD no país.