Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 26/10/2019

O filósofo Hegel, no século XIX, propõe uma analogia cujo teor auxilia a pensar nas questões sociais que envolvem o curso da história: “A coruja de minerva só voa ao anoitecer”. Nesse sentido, sua proposição revela que é preciso um decorrer de tempo a fim de que o Homem alcance sabedoria para lidar com suas questões desafiadoras. Tendo isso em vista, pode-se perceber que, na contemporaneidade, as perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil acentuam-se ora pelo escasso comprometimento educacional, ora pelo imediatismo virtual hodierno. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

A priori, é imperioso ressaltar que esse panorama supracitado é fortificado pela parca responsabilidade educacional. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do educador francês Edgar Morin, o qual disserta acerca da importância da interdisciplinaridade no ensino brasileiro, ao trazer conceito de todas as áreas do conhecimento ligadas de forma harmônica. De maneira análoga à teoria do sociólogo, é possível perceber que, no Brasil, a superficialidade da educação a distância rompe com a harmonia proposta, haja vista que a cultura do imediatismo engessado na cultura virtual do país se apresenta também no meio virtual. Logo, é substancial a alteração desse quadro.

Além disso, é imperativo pontuar que, a partir da mudança da mentalidade do educador, esse panorama pode ser revertido. Segundo a ideia de “sociedade em rede”, proposta pelo sociólogo espanhol Manuel Castells, a criação de uma rede de ensino virtual compactua para a descentralização do conhecimento, bem como para uma maior democratização do acesso à educação por famílias que vivem a árdua realidade econômica do país. A exemplo do exposto, é cabível pontuar dados coletados pelo jornal O Estado de São Paulo, em 2017, no qual consta que o ensino a distância no Brasil cresceu 133% nos últimos dois anos, inserindo pessoas advindas de famílias de baixo poder aquisitivo em cursos de capacitação e formação superior através de mensalidades acessíveis.

Depreende-se, portanto, a necessidade de minimizar os desafios da educação a distância presente no país. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal, uma ampla distribuição de computadores em escolas de rede pública, sobretudo em áreas de carência familiar, a fim de inserir os jovens em cursos complementares à escola, objetivando democratizar o acesso à educação bem como garantir melhores condições financeiras no futuro. Ademais, o Governo Federal deve fiscalizar o conteúdo disponível em plataformas educacionais virtuais, por meio do controle de informações fornecidas por funcionários públicos capacitados, a fim de minimizar a superficialidade com o qual ministram as aulas. Desse modo, o Brasil poderá alçar o voo proposto por Hegel.