Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 29/10/2019
O desenvolvimento de instituições de ensino, principalmente no que tange ao mundo ocidental, teve início na Europa, durante a Idade Média, com o aparecimento de importantes universidades. Entretanto, desde então, o acesso à diversos cursos no Brasil, infelizmente, é uma realidade apenas às camadas sociais mais ricas. Nesse panorama, a EAD (educação à distância) torna-se uma ferramenta interessante para a diminuição da desigualdade educacional, o que leva a necessidade de levantar virtudes e desafios para a evolução dessa temática.
Em primeiro lugar, ressalta-se o aumento de matrículas de graduação à distância no Brasil, segundo o Datafolha, a procura dessa metodologia triplicou na última década, saindo de 7% até 21%, o que gera uma maior inclusão do ensino para as camadas sociais mais pobres. Esse efeito pode ser explicado pelo menor custo das mensalidades em comparação com as instituições educacionais presenciais, que precisam de maiores espaços e quantidade de professores disponíveis. Além disso, a EAD proporciona maior comodidade, principalmente ao morador da periferia, que não precisa perder horas de deslocamento, o que reflete em ganho de tempo e economia no transporte. Dessa maneira, o cidadão menos abastado adquire melhores condições para aprender cursos e entrar no mercado de trabalho.
No entanto, diversos desafios ainda impedem que essa ferramenta se espalhe ainda mais pelo Brasil. De acordo com uma reportagem da TV Band, a desistência em graduações à distância pode chegar em até 40% a mais do que em instituições presenciais, o que pode ser motivado pela falta de planejamento e conhecimento do próprio aluno sobre como os cursos são lecionados e também por inexperiência na sua autogestão. Ademais, há ainda muita resistência de corpos docentes em geral, acostumados com metodologias clássicas e, também, uma forte desconfiança do mercado de trabalho em contratar pessoas formadas por esse método, haja vista não existir nenhuma fiscalização adequada dessas escolas. Logo, a educação à distância é prejudicada na realidade do cidadão brasileiro.
Fica evidente, portanto, a necessidade de uma intervenção dos poderes públicos e da sociedade civil. Cabe ao Ministério da Educação, a partir de verbas da União, criar um órgão fiscalizador dessas escolas, a partir da análise da quantidade de horas ministradas, da qualidade das matérias, provas e dos professores, além de avaliar o aluno com a exigência da apresentação de um projeto final. Para que, dessa maneira, o cidadão e o mercado de trabalho possam ter mais confiança e segurança acerca dessa metodologia. Por fim, cabe também ao Estado, através de uma parceria com o Youtube, Facebook e grandes figuras intelectuais do país divulgar a importância e os benefícios da EAD para o estudante. Dessa forma, o Brasil sairá da grande desigualdade educacional que o assombra.