Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Segundo o sociólogo Pierre Levy, a virtualização é característica intrínseca a sociedade pós-moderna, logo o virtual é a extensão do mundo real. Nesse sentido, foi aprovado no Brasil o ensino realizado à distância, uma vez que professor e aluno encontram-se em ambientes diferentes, porém compartilham do processo ensino e aprendizagem através da tela. Embora o Ead busque facilitar o acesso ao ensino de indivíduos que enfrentam dificuldades de exercer seu direito, ainda existe o preconceito nessa modalidade da educação, desde a exclusão digital ao desgaste do ensino.

Em primeiro lugar, é importante destacar que as vantagens desse modelo de didática. Assim, indivíduos que necessitam conciliar estudo e trabalho optam muitas vezes pelo Ead por sua praticidade e flexibilidade, tanto de horário quanto de local. Ademais, muitos estudantes possuem entraves de locomoção, enfrentando dificuldades e rotinas difíceis para obter um ensino de qualidade, como é o caso da população ribeirinha que encaram embarcações todos os dias e logo em seguida ônibus sucateados. Além disso, a virtualização proporciona as pessoas o acesso a vídeos, áudios, hiperlinks dinamizando o processo de aprendizagem e fornecendo mecanismos até então limitados dentro de sala. Por fim, o desenvolvimento de habilidades tecnológicas é necessário hoje no mercado de trabalho, tornando esses alunos aptos a concorrerem por cargos mais seletivos.

Pode-se, também, destacar os obstáculos que essa modalidade de ensino sofre. Outrossim, o preconceito existente com alunos que optam por essa didática parte do pressuposto da dificuldade de assimilar e aprender por meio de uma simples tela, formando muitas vezes alunos defasados. Em adição, muitos professores não oferecem o auxílio necessário ou não transmitem o conteúdo de maneira clara e concisa tornando a educação à distância debilitada. Verifica-se, ainda, que a exclusão digital existe em muitas realidades brasileiras por mais que existam polos tecnológicos de acesso, uma vez que a segregação parte desde dificuldades de compreensão cognitiva, instrumental, linguística ou até mesmo a escassez de recursos que ofereçam computadores de qualidade e que atendam a todos os usuários. Dessa forma, as adversidades presentes dificultam o pleno acesso do Ead.

Urge, portanto, medidas que contornem a exclusão e promova a “virtualização” de qualidade. Logo, é necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologia forneça verbas que permitam à compra de computadores, bem como o fornecimento da banda larga mais acessível em polos marginalizados - residências, escolas e bibliotecas municipais - a fim de tornar o acesso à internet ampliado por meio de uma infraestrutura de qualidade. Ademais, é imprescindível que realizem campanhas que divulguem os benefícios da educação à distância com o intuito de desmitificar os  preconceitos existentes.