Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 02/11/2019
A educação a distância não é um método de ensino recente na sociedade brasileira, de acordo com a Associação Brasileira de Ensino a Distância, em 1904, o jornal do Brasil ofereceu em seus classificados um curso de datilografia por correspondência. Desde então, essa forma de aprendizado cresceu e atualmente, segundo o Ministério da Educação, é responsável pela formação de 26% do total de alunos matriculados no ensino superior. No entanto, a falta da cultura de autoaprendizagem e a deficiência de recursos básicos da população são grandes desafios que ainda precisam ser superados.
Primeiramente, vale ressaltar que a falta da cultura de autoaprendizagem é um fator que impede o pleno desempenho da EAD. A esse respeito, o sistema educacional vigente no Brasil, espelha-se nos moldes Iluministas, o qual impõe a submissão intelectual do aluno à figura do professor- detentor do conhecimento-. Sendo assim, desde o iluminismo o aluno acostumou-se a ser passivo no processo de aprendizagem, contexto que inviabiliza o autoaprendizado, uma das característica do ensino a distância. Em consequência disso, a educação remota não alcança seus objetivos favorecendo, conforme o Censo EAD, a evasão de alunos, um dos principais problemas desse mundo educacional.
Em segunda análise, a deficiência de recursos básicos da população também é outra barreira que impossibilita a eficiência dessa forma de ensino. Acerca dessa premissa, a falta de urbanização e a miséria extrema de algumas regiões negligenciadas do país, como o município de Melgaço, são prova disso, pois segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, essa cidade apresenta o menor IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, do Brasil. Posto isso, não há como aprender presencialmente ou remotamente, convivendo com a fome e com a ausência de serviços essenciais. Desse modo, esse cenário impede a formação educacional desses indivíduos, suas perspectivas de empregabilidade e a longo prazo fomenta as desigualdades sociais.
Portanto, é importante que medidas sejam tomadas para solucionar tal problema. É preciso que o Ministério da Educação modifique a mentalidade dos alunos, por meio de projetos de iniciação científica, que estimulem os estudantes a desenvolver a autoaprendizagem, a fim de desconstruir a passividade histórica do ensino. Outrossim, cabe ao Governo assegurar a oferta de serviços básicos à população, tais como saneamento básico, alimentação e a construção telecentros comunitários, por intermédio da fiscalização e visitas periódicas a esses locais carentes, para garantir que o ensino a distância obtenha condições favoráveis para sua implementação e eficiência.