Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 30/10/2019
No livro “Utopia”, de Thomas More, é criado um local onde inexiste problemas sociais e todos cidadãos têm todos os seus direitos garantidos. Na realidade brasileira, entretanto, a falta de interação física entre os alunos e, consequentemente, o crescimento dos índices de evasão nas instituições de educação a distância ainda são desafios relevantes para a obtenção de um ensino qualificado no país. Nessa perspectiva, é imprescindível a discussão acerca de possíveis medidas para atenuá-los.
Mormente, a escassez das relações sociais e presenciais é um grande causador da perda de interesse dos estudantes pelo ensino. Visto que, segundo o filósofo brasileiro do século XX, Paulo Freire, a educação é a melhor forma de evitar problemas e, além disso, essa deve ser realizada de modo coletivo, ou seja, as pessoas necessitam de convivência com outras para tornarem a rotina menos entediante. Por isso, é inadmissível que em um país, oficialmente democrático, os indivíduos não possuem as mesmas condições de ensino.
Em segunda análise, o abandono escolar é um atual legado dessa desmotivação dos alunos. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas -INEP-, desde 2015 o número de desistências no ensino a distância chega a quase 39% dos estudantes matriculados, algo alarmante que comprova certo desinteresse do corpo discente. Portanto, é inaceitável que uma nação, em estágio de desenvolvimento, negligencie tamanha evasão estudantil.
Diante disso, para que essa problemática seja amenizada é necessária uma ação mais organizada do Estado. Assim, as instituições de ensino a distância precisam reduzir o índice de desistência escolar brasileira, por meio da estimulação de interações físicas entre os alunos, com adição de maiores horários presenciais na base curricular, a fim de evitar que esses indivíduos abandonem o ambiente educacional. Com isso, o Brasil se aproximará socialmente do local idealizado por More e do conceito defendido por Freire.