Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 31/10/2019
A Constituição Federal de 1988, no artigo 205, prevê que a educação é direito de todos e dever do Estado. No entanto, o deficitário Sistema de Educação brasileira é um empecilho para o desenvolvimento intelectual dos cidadãos, principalmente quando relacionado a utilização de tecnologias como a utilização de plataformas onlines de aprendizado, ou seja, do ensino à distância por meio da internet. Isso posto, faz-se necessário um lúcido debate acerca das principais causas e consequências provocadas pelo retrogrado método de ensino do país.
A princípio, é relevante enfatizar o descaso do poder público em gerir a educação pública de qualidade e que garanta meios suficientes para o pleno desenvolvimento da pessoa humana. Nesse sentido, é possível recuperar o pensamento do filósofo iluminista John Locke, o qual estabeleceu a teoria do Contrato Social, onde, de modo geral, os cidadãos transfeririam alguns de seus direitos à autoridade governamental, que em troca promoveria o bem estar social. Porém, as péssimas políticas aplicadas à metodologia de ensino no Brasil, atrelado a falta de investimentos na qualificação de profissionais e em tecnologia, demonstram que o país está distante de cumprir um contrato semelhante ao exposto por Locke, o que é lastimável.
Outrossim, para o conceituado pedagogo e filósofo brasileiro Paulo Freire, ensinar não é transferir conhecimento e sim criar possibilidades de assimilação. Dessa forma, é possível - por meio desse conceito - compreender que é necessário criar alternativas que ampliem o acesso ao conhecimento, o que é possível através da metodologia de ensino à distância. Contudo, é notório a incompreensibilidade dos benefícios promovidos pelo EAD. Consequência grave dessa triste realidade é a ausência de capacitação profissional, técnica e educacional por significativa parcela de brasileiros, que, analogamente ao pensamento de Freire, vivem oprimidos - ausentes de conhecimento acadêmico e manipulados culturalmente. Assim, é incoerente que uma nação que almeja ser desenvolvida, mantenha sua população alienada educacionalmente.
Urge, portanto, a necessidade de mitigar os empecilhos para o pleno desenvolvimento do conhecimento cientifico ao cidadão. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação, por meio de portaria normativa, regulamentar e ampliar cursos na modalidade EAD, com o objetivo de proporcionar meios viáveis de aprendizagem aos que, por diversos fatores, estão impossibilitados de participar do modelo convencional de educação. Além disso, o MEC deve lançar campanhas publicitárias que incentivem a população à aderir o modelo inovador de educação a distância, desconstruindo paradigmas e, com isso, realizando uma ação libertadora, como bem defendeu Paulo Freire.