Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 31/10/2019

No livro “O Diário de Anne Frank”, escrito no período da Segunda Guerra Mundial, a autora narra as dificuldades enfrentadas por ela e sua família enquanto permaneciam escondidas durante a ocupação nazista dos Países Baixos. Em determinado momento, Margot Frank, irmã de Anne, é citada realizando um curso de latim por correspondência. Hodiernamente, há no Brasil um número cada vez maior de estudantes utilizando uma plataforma análoga a de Margot Frank – a Educação a Distância (EAD). Contudo, dificuldades para a integralização dessa prática ainda estão presentes na sociedade brasileira. Com isso, convém analisar as causas, as consequências e as possíveis soluções para esse impasse.

Primeiramente, observa-se a falta de investimentos governamentais como causa primária na dificuldade ao acesso à EAD. Segundos dados de pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), 21,2% de todos estudantes matriculados no superior estão na modalidade de educação a distância. Entretanto, 90,6% dessas matrículas foram realizadas em instituições de ensino privadas. Logo, este dado mostra não só um empecilho ao estudante de baixa renda, como também expõe a incapacidade do Brasil de garantir o acesso universal e gratuito à educação – direito outorgado pelo Artigo 6º da Constituição Federal.

Ademais, a precária infraestrutura da banda larga brasileira também é uma dificuldade para a universalização do EAD. Conforme Dados divulgados pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, apenas 30% das residências da população das classes D e E possuem acesso à internet de alta velocidade. Sendo um bom ingresso à rede uma condição imperativa à um favorável aproveitamento das aulas à distância, esse número mostra a necessidade de melhorias na capacidade de banda larga do país. Como disse o economista inglês Sir Arthur Lewis, a educação não deve ser considerado uma despesa, e sim um investimento com retorno garantido.

Logo, é vital que seja empregado capital necessário para o bom desenvolvimento de toda estrutura necessária para a EAD no Brasil. Diante disso, torna-se evidente que medidas precisam ser tomadas. Com o intuito de sanar os problemas estruturais da banda larga no Brasil, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, através de investimentos na infraestrutura, garanta o acesso à banda larga em todo o país. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, através da criação de novas Instituições Públicas voltadas para o EAD, possa oferecer de maneira ampla ofertas em cursos à distância. Destarte, se tais medidas forem realizadas, o Brasil ficará um passo mais perto de finalmente respeitar de maneira íntegra o Artigo 6º de sua Constituição Federal.