Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 10/02/2020

Segundo o filósofo brasileiro Paulo Freire, se a educação por si só não muda a sociedade, a sociedade tampouco muda sem ela. Essa frase sintetiza a importância da educação e o seu papel como fundamento de mudança da realidade do ser humano. No Brasil, ela tem acompanhado o avanço das tecnologias, através do ensino digital, que segundo a Associação Brasileira de Ensino à Distância, foi contemplado por 7 milhões de brasileiros em 2017. Apesar dos benefícios promovidos por ele, o exercício de seu potencial máximo ainda encontra desafios para ser alcançado.

O EAD, tem beneficiado a todas as faixas etárias e traz soluções aos problemas logísticos e monetários relacionados à formação dos brasileiros. Primeiramente, a educação digital conta com flexibilidade de tempo maior, pois o conteúdo pode ser estudado a qualquer momento e, também, ela conta com mensalidades de valor inferior aos cursos presenciais. Desse modo, a população jovem, adulta e idosa, cujo tempo de estudo é limitado devido ao emprego, pode organizar-se conforme suas condições de tempo hábil e de orçamento, o que torna a sua educação mais acessível. Ademais, crianças e adolescentes situados em regiões que carecem de instituições de aprendizado têm, por meio do acesso à internet, a possibilidade de concluírem a grade de ensino comum, assim como o fazem os alunos de escolas físicas.

Apesar disso, a mercantilização do ensino remoto e a ausência de disciplina para com ele colocam entraves no seu aperfeiçoamento contínuo. Isto ocorre em função da visão ao lucro máximo dos empresários desse ramo, que vêem no seu crescente mercado de consumo, a prerrogativa para a abertura de novos cursos, sem no entanto, prezar pela qualidade, fator que gera receio na população e, por consequência, os tornam menos atrativos. Além disso, a falta de acompanhamento parental e institucional desestimula a população infanto-juvenil, na medida em que, sem um ambiente propício ao ensino e predisposição disciplinar, ela não vê o aprendizado como um bem necessário e opta, por vezes pela evasão escolar.

Diante disso, depreende-se a necessidade de implementar medidas que visem atenuar os desafios inerentes à formação do brasileiro. Ao Ministério da Educação, cabe a regulamentação da abertura de novos cursos, por meio da análise pedagógica profissional quanto a qualidade didática deles, para que a qualidade desse modal de instrução seja assegurada. Às Secretarias de educação estaduais e municipais, compete a inserção de tutores em turmas digitais, que terão como função organizar e acompanhar o estudo dos alunos e assim, garantir o estímulo contínuo.