Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 27/02/2020

O sistema nervoso humano é subdividido em central e periférico, sendo o central responsável por direcionar informações e o periférico capaz de receber e compreendê-las. Essas informações, para, por exemplo, movimentar músculos da perna, devem passar por uma longa rede de comunicação, constituída por nervos, até chegarem aos receptores (músculos). Paralelamente, instituições de ensino têm, atualmente, a possibilidade de comunicarem digitalmente com seus alunos, efetivando o Ensino a Distância (EaD), porém a mercantilização e a dificuldade na democratização do EaD são desafios em  voga para essa modalidade de ensino.

Primeiramente, é válido dizer que, com a ascensão do sistema capitalista no mundo, até mesmo a educação é utilizada como produto. Evidência disso são dados divulgados pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), em 2018, os quais mostram que 92% das instituições físicas de ensino cobrariam para disponibilizar seus serviços na internet. Sendo assim, a educação é posta em uma espécie de mercado, no qual os consumidores são alunos que, enquanto cidadãos, buscam seu direito a educação de qualidade - mesmo que no meio digital.

Por conseguinte, a mercantilização do EaD intensifica a dificuldade de democratizar essa modalidade de ensino, visto que poucos consumidores possuem, de fato, capital, o que segrega alunos no meio digital. Evidência disso é que, dentro dos 92% supracitados, apenas 37% cobrariam um valor inferior a 1,5 salários mínimos como mensalidade para graduação. Logo, sabendo que famílias com renda inferior ao valor mensal estipulado por essas instituições, per capita, de acordo com o IBGE em 2019, são aproximadamente 75% dos brasileiros, é válido dizer que, infelizmente, o EaD está longe de sua conjuntura ideal, urgindo imediata mudança.

Portanto, visto a tempestividade da problemática, o Governo deve, por meio de políticas públicas, federalizar instituições de ensino no meio digital e coibir certificados oficiais, de graduação e pós-graduação, de novas instituições privadas, de ensino “on-line”, até que haja equilíbrio no número de faculdades públicas e privadas. Somente assim, com a finalidade de amenizar as intempéries do Ensino a Distância, será possível construir uma rede de comunicação eficaz, democrática e dinâmica, no meio digital, entre aluno e instituição, movimentando os músculos necessários para a organização e eficiência da educação no Brasil.