Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 21/03/2020
A educação à distância (EAD) é uma prática pedagógica contemporânea, a qual os discentes não estão fisicamente presentes no ambiente presencial de ensino-aprendizagem. Isso remete a uma questão bastante recorrente na sociedade brasileira, qual sejam os desafios que essa educação enfrenta na realidade social do país. Perante esse debate, é indispensável que haja uma nova perspectiva acerca da EAD, tanto por razões que dizem respeito à vivência social quanto à ordem legislativa.
Em primeiro lugar, é válido salientar que o jovem em aprendizagem corre o risco de ter falhas no processo de socialização. Sob tal perspectiva, é válido citar o sociólogo Émile Durkheim, segundo o qual atesta que a ausência de uma socialização secundária - feita por instituições - interfere na formação completa do indivíduo. Com base nisso, leva-se à percepção de que a privação de uma convivência e interação com o diferente - algo que acontece na EAD - tem reflexos negativos no desenvolvimento do sujeito, visto que aspectos sociais atuam profundamente no processo educativo.
Em segundo lugar, é importante reconhecer que a realidade da EAD vai de encontro ao cumprimento da lei. De acordo com a Lei das Diretrizes e Bases, é responsabilidade do Estado promover a educação. Contudo, é desanimador notar que tal diretriz não dá sinais de plena execução, visto que que a EAD recebe pouco investimento e planejamento para o seu progresso, como mostram dados do Ministério da Educação, os quais apontam um significativo corte em 2017 no orçamento estudantil para a educação à distância. Diante disso, ratifica-se a ideia de a norma não virar letra morta, confirmando o que já propunha Dante Alighieri, em “A Divina Comédia”: “as leis existem, mas quem as aplica?”.
Levando em conta a discussão, faz-se necessária a tomada de atitude frente à questão da educação à distância no Brasil. A fim de solucionar e contornar a problemática descrita, cabe ao Ministério da Educação - por ser o órgão responsável em formular e normatizar políticas nessa área - por meio de parcerias com o Governo Federal e incentivos fiscais e financeiros, investir em equipamentos necessários para o sistema à distância, que irão auxiliar na aprendizagem, contratar profissionais e empregar novas turmas com maior abertura social. Iniciativas assim contribuirão para o acesso pleno e a melhoria da educação à distância no país.