Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 21/03/2020

A educação a distância não é um método de ensino recente na sociedade Brasileira, de acordo com a Associação Brasileira de Ensino a Distância, em 1904, o Jornal do Brasil ofereceu em seus classificados um curso de datilografia por correspondência. Desde então, essa forma de aprendizado cresceu e atualmente, segundo o Ministério da Educação, é responsável pela formação de 26% do total de alunos matriculados no ensino superior. No entanto, a falta de cultura de autoaprendizagem e a deficiência de recursos básicos da população são grandes desafios que ainda precisam ser superados.        Primeiramente, vale ressaltar que a falta da cultura de autoaprendizagem é um fator que impede o pleno desempenho da EAD. A esse respeito, o sistema educacional vigente no Brasil, espelha-se nos moldes iluministas, o qual impõe a submissão intelectual do aluno à figura do professor- detentor do conhecimento-. Sendo assim, desde o Iluminismo o aluno acostumou-se a ser passivo no processo de aprendizagem, contexto que inviabiliza o autoaprendizado, uma das características do ensino a distância. Em consequência disso, a educação remota não alcança seus objetivos, favorecendo conforme dados do Censo EAD 2019, a evasão de alunos, um dos principais problemas desse mundo educacional.

Em segunda análise, a deficiência de recursos básicos da população também a outra barreira que impossibilita a eficiência dessa forma de ensino. Acerca dessa premissa, a falta de urbanização e a miséria extrema de algumas regiões negligenciadas do país, como o município de Melgaço, são prova disso, pois segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, essa cidade apresenta o menor IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, do Brasil. Posto isso, não há como aprender presencialmente ou remotamente convivendo com a fome e com a ausência de serviços essenciais. Desse modo, este cenário impede a formação educacional desses indivíduos, suas perspectivas de empregabilidade e a longo prazo fomenta as desigualdades sociais.

Portanto, é importante que medidas sejam tomadas para solicitar tal problema. É preciso que o Ministério da Educação modifique a mentalidade dos alunos, por meio de projetos de iniciação cientifica, que estimulem os estudantes a desenvolverem habilidades autodidatas, a fim de desconstruir a passividade histórica do ensino. Outrossim, cabe ao Governo assegurar a oferta de serviços básicos à população, tais como saneamento básico, alimentação, além de destinar verbas para a construção de telecentros comunitários nas periferias brasileiras, com o intuito de democratizar o acesso a essa forma de conhecimento. Feito isso, a sociedade Brasileira obterá a completude da democracia e da excelência em se tratando do ensino a distância.