Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 03/04/2020

Os primeiros cursos educacionais a distância surgiram no século XVIII, quando uma formação por correspondência foi oferecido por uma instituição nos Estados Unidos. No cenário atual brasileiro, essa forma de ensino está em crescente expansão - marcada pelo uso de tecnologias - e permite maior acessibilidade à educação. No entanto, o modelo a distância enfrenta desafios, visto que o excesso de informações e promessas de capacitações instantâneas e efetivas pode submeter o estudante a uma superficialidade no conhecimento.

Em primeira análise, é imperativo salientar a democratização do acesso ao aprendizado decorrente da educação a distância (EaD). Correlativamente, segundo o sociólogo espanhol Manuel Castells, em seu livro “A Sociedade em Rede”, a descentralização do conhecimento e a sociedade globalizada - causadas pelo capitalismo informacional - evidenciam a necessidade da reforma no sistema de ensino, de maneira a aumentar a demanda da união entre tecnologia e didática. Dessa forma, a EaD torna-se um fator importante no processo de acessibilidade, uma vez que a educação alcança lugares marginalizados, além de garantir o dinamismo e a flexibilidade do ensino.

Conquanto, a não fiscalização da qualidade pedagógica do modelo a distância pode acarretar em ofertas imediatistas e superficiais. Analogamente, de acordo com o educador brasileiro Paulo Freire, o ensino é uma fonte libertadora cujo objetivo é despertar a criticidade do aluno e incentivá-lo na busca de sua autonomia. Nesse âmbito, a fiscalização sobre os cursos a distância ainda é ínfima, o que possibilita uma desunião das informações transmitidas, sem uma análise ampla e global, e torna o aprendizado raso e insuficiente, haja vista a existência de instituições que buscam apenas a mercantilização do conhecimento.

Depreende-se, portanto, que, para aprimorar o atual panorama educacional brasileiro, o Estado, principal responsável por garantir o alcance qualitativo e igualitário à educação, em especial, a distância, deverá descentralizar o acesso à internet e à equipamentos tecnológicos apropriados, por meio de incentivos governamentais, como a aplicação de verbas, a fim de democratizar o conhecimento. Outrossim, deve estabelecer um órgão encarregado da fiscalização dos conteúdos ministrados digitalmente, para assegurar o ensino qualitativo e manter a crescente expansão do ensino a distância no Brasil.