Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 09/04/2020
Aristóteles – ainda no período Clássico da Grécia Antiga – teoriza a máxima: “todos homens têm, por natureza, desejo de conhecer”. Sob esse viés, cabe ponderar quanto ao aprendizado no contexto brasileiro hodierno, afinal, com o advento das novas tecnologias, a modernização das relações, inevitavelmente, atinge essa esfera. Assim, como resultado da mescla educação-internet, surgiu o ensino a distância que, se por um lado, apresenta-se inclusivo, por outro, enfrenta (dentre muitos desafios) grande resistência da sociedade. Desse modo, para ser viável sanar esse impasse, faz-se indispensável discorrer os aspectos supracitados.
A princípio, urge apontar o caráter democrático da modalidade em questão. Conforme uma matéria do segundo semestre de 2018, da revista Veja, três tipos de perfis de estudantes se destacam: o jovem sem poder sair e ir a uma universidade; o profissional já no mercado de trabalho, mas residindo longe da faculdade ou sem flexibilidade de horários; e daquele já mais velho que decide buscar novas perspectivas profissionais. Acerca disso, nota-se até mesmo a praticidade, porquanto é possível assistir às aulas em qualquer lugar com devido acesso, não há gasto com deslocamento do aluno à instituição e a mensalidade é mais barata em relação às formações presenciais. Portanto, pontua-se a popularização dos cursos remotos como uma alternativa para abranger camadas sociais mais carentes.
Em contrapartida, convém ressaltar a relutância apresentada pelo discente para acatar a aprendizagem digital. Consoante a dados da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), no CENSO EAD de 2017, as taxas de evasão foram de quase 50% sendo alarmantemente atingido, em grande parte, em virtude do despreparo dos estudantes para a organização da rotina de estudos individual, da falta de interação aluno-professor, do acúmulo de atividades no trabalho, além do preconceito com essa forma de instrução. Em vista disso, as causas susoditas das desistências resultam no menor desempenho dos estudantes e isso fomenta, ainda mais, a rejeição enfrentada por essa categoria. Dessarte, faz-se mister o aumento da qualidade pedagógica nesse âmbito.
Logo, antes que o óbice enfrentado pelo ensino a distância torne-se irreversível e seja impossível expandir os limites educacionais desse modelo, é preciso intervir. Para tanto, o Governo Federal (responsável pela garantia da plena execução desse direito, de acordo com a Constituição vigente), com o Ministério da Educação, deve, por meio do CENSO EAD de cada ano, analisar quais são as faculdades com problemas mais e menos notórios e, então, identificar e aplicar as metodologias de melhor funcionalidade a todos cursos, com fito de aumentar a qualidade e diminuir os índices de abandono neles. Quiçá, então, será possível salvaguardar o inerente desejo aristotélico humano.