Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 06/04/2020
“A educação transforma as pessoas e as pessoas transformam o mundo”. A famosa frase do pensador e educador Paulo Freire, demonstra com clareza o poder da educação na vida do ser humano. Nesse contexto, as perspectivas e desafios da educação à distância no Brasil têm ganhado destaque como tema atual de discussão. Assim, em uma época em que a internet se demonstra a maior ferramenta de propagação do conhecimento do mundo e a educação a distância já é uma realidade, convém discutir as causas e consequências dessa temática.
É relevante enfatizar, a princípio, que o surgimento da educação a distância trouxe a democratização do acesso à educação. De acordo com a Associação Brasileira de Educação a Distância, cerca de sete milhões de pessoas estavam matriculadas em alguma modalidade EaD em 2017 e dentre os fatores que influenciaram o acesso a essas modalidades estavam, principalmente, a flexibilidade no tempo, valores mais acessíveis e locomoção não necessária. Tal fato demonstra a importância desse tipo de ensino, haja vista que favorece a educação de pessoas com baixa renda e de trabalhadores com horário disponível reduzido.
Ademais, a consolidação dessa modalidade ainda sofre diversos obstáculos para sua aplicação no Brasil. Se por um lado o EaD seja capaz de atingir um público mais abrangente, por outro, tem se tornado alvo de questionamentos acerca da qualidade de ensino e aprendizado pelos alunos. Segundo César Callegari, pres. Inst. Bras. Sociologia Aplicada, a modalidade tem diminuído o contato entre o mestre e o aprendiz, representando um perigo à manutenção da educação no país, por formar frágeis profissionais ao mercado. Somado a isso, a monopolização do EaD na educação é incapaz de integrar as populações isoladas do vasto território brasileiro, como as ribeirinhas, em razão da localização fora da área de cobertura das redes.
Portanto, torna-se claro que a educação a distância é uma poderosa arma no aprendizado no Brasil, mas ainda necessita intervenções para evitar uma formação leviana dos alunos. Destarte, o Ministério da Educação, deve investigar com maior rigor as escolas que usam esse tipo de ensino, através de testes de proficiência profissional, a fim de garantir uma excelência no aprendizado dos estudantes. Em adição, o Governo Federal deve criar redes de ensino integrado, disponibilizando materiais didáticos para a aplicação a comunidades inalcançadas pela rede. Além disso, urge à população a busca de aperfeiçoamento profissional e a dedicação nos estudos, com o intuito de se manterem capacitados para o mercado de trabalho. Feito isso, as palavras de Paulo Freire seriam bem adaptadas ao Brasil, pois através da educação as pessoas seriam transformadas e, consequentemente, o país.