Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 25/04/2020

Na obra “Utopia” de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o enfrentamento à evasão escolar no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Isso posto, esse cenário antagônico é fruto tanto do sucateamento das escolas públicas, quanto do desinteresse dos alunos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o abandono escolar deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que caibam tais recorrências. Segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse contexto, devido à falta de atuação das autoridades, o descuido das escolas públicas implica a desmotivação de muitos estudantes, seja por falta de materiais e professores capacitados, seja pela infraestrutura precária a qual são submetidos. Portanto, a baixa qualidade da educação pública pode gerar uma negligência aos estudos, que, por conseguinte, poderá acarretar em malefícios para o futuro desses sujeitos.

Ademais, é imperativo ressaltar que o sistema educacional que está vigente no Brasil é inspirado no modelo do iluminismo e impõe submissão intelectual do acadêmico à figura do professor, que seria o detentor do conhecimento, com um ensino massivo e sem aplicação. Partindo desse pressuposto, o aluno é desinteressado à estudar, e nesse ponto independe de classe social. Logo, com esse modelo de aprendizado acentuado e sem aplicabilidade nos seus cotidianos, eles não encontrarão motivos e interesses para prosseguir nos estudos. Ora, sem uma alteração nesse sistema, não será possível diminuir a incidência da evasão escolar.

Em vista disso, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Destarte, com o intuito de mitigar a evasão a instituições de ensino, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na revitalização desses espaços. Concomitantemente, ainda com o mesmo objetivo, o ministério da educação deve promover uma reformulação dos currículos escolares, por meio de consultas a especialistas no assunto, buscando encontrar relação entre os cotidianos dos estudantes com a matéria escolar. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema, e a coletividade alcançará a Utopia de More.