Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 23/05/2020
O livro ‘‘O diário de Anne Frank’’, retrata os desafios da educação a distância no período da segunda guerra mundial, uma vez que era feita através de cartas e livros enviados pelo correio. Nesse contexto, é notório que a educação a distância não é uma condição atual. Dessa forma, apesar de ser um sistema antigo de ensino ainda denota inúmeras falhas, tais como a ausência da inclusão da classe baixa e a negligência governamental em relação aos mínimos investimentos feitos para esse ensino. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados para que uma sociedade íntegra seja alcançada.
Primordialmente, é necessário pontuar que a educação a distância não engloba toda a população brasileira e esse é o principal causador do problema. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em média 30% da população brasileira não tem acesso a internet e vivem com a média salarial de 140 reais por mês. Partindo desse pressuposto, os cursos majoritariamente oferecidos na contemporaneidade são online. Dessa maneira, o EAD exclui pelo menos 60 milhões de indivíduos no Brasil que não tem acesso a internet ou não tem como pagar por um curso online.
Outrossim, a ausência de investimentos governamentais no sistema de educação a distância corrobora para esse problema. Consoante o filósofo Durkheim, na medida em que o Estado isenta-se de garantir os direitos dos cidadãos, há uma quebra no contrato social elaborado junto a sociedade. Nesse espectro, essa insuficiência no aparato institucional não só contribui para à não formação de pessoas no ensino superior como na exclusão de muitos indivíduos no sistema EAD. Dessa maneira, a ausência de livros disponibilizados e de materiais necessário contribui para esse quadro deletério.
Dessarte, medidas são necessárias para a resolução do impasse. Desse modo, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o IBGE deve mapear os locais com indivíduos que não tem acesso a internet, principalmente nas comunidades, e fazer a distribuição de livros e materiais necessários para o aprendizado de indivíduos de baixa renda. Simultaneamente, o MEC junto ao Governo Federal, deve investir no EAD com materiais qualificados e de maior inclusão. Nessa conjuntura, a educação a distância não seria mais uma utopia no Brasil.