Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 06/05/2020
Em meio a uma pandemia de uma doença altamente infecciosa, a Covid-19, os estudantes de todo o mundo se viram frente a um desafio jamais enfrentado: a educação à distância ‘compulsória’. O Corona Virus requer o isolamento social, impedindo as aulas presenciais, ou seja, a metodologia de estudo mais empregada no Brasil, principalmente na educação básica. A pandemia colocou à prova a fragilidade do sistema de ensino nacional, indicando a necessidade de sua reformulação para adequar-se a nova realidade, na qual as aulas presenciais tradicionais são uma utopia. A implementação do Ensino à distância ainda ocorre de forma desigual pelo Brasil, uma vez que em um país com tamanha disparidade educacional entre a rede pública e privada, é natural que as classes mais privilegiadas tenham acesso a materiais de alta qualidade, enquanto os menos afortunados enfrentem grandes dificuldades para terem acesso ao básico.
O EAD (Ensino à Distância) evidencia como a meritocracia é uma farsa. Como um aluno de escola particular, que tem acesso aos mais complexos materiais via internet, pode competir com um estudante da rede pública de ensino que não tem acesso a internet e que durante grande parte do semestre letivo suas aulas estavam paralisadas? Justamente por essa disparidade educacional que a desigualdade perpetua-se na sociedade brasileira. É indiscutível que, a probabilidade de um jovem, com acesso ao EAD durante o período de quarentena, de ingressar em uma faculdade, no ano de 2021, é consideravelmente maior do que a de um jovem sem acesso ao conteúdo.
Mesmo com tamanha desigualdade, é importante destacar que a falta de planejamento e a dificuldade de adaptação ao EAD escancara outra mudança necessária na rede nacional de educação. O Brasil encara o resultado de uma corrente de pensamento que perpetuou-se ao longo de sua história: a dependência do aluno ao professor. Majoritariamente empregada no país, desde a alfabetização até o ensino médio, a relação aluno-professor tornou-se um tanto quanto disfuncional. Os alunos criam dependência de uma figura autoritária para ensiná-los, acostumando-se com o fato de que o professor sempre ‘estará lá’, fazendo com quem os estudantes brasileiros desafiem-se cada vez menos, tornando-se cada vez mais dependentes e menos autodidatas. Portanto, o EAD, tão necessário nesse momento de isolamento social, aponta erros profundos na estruturação social e educacional do Brasil. Emergencialmente, o MEC deve democratizar o acesso aos conteúdos do ensino básico, através da publicação de vídeo-aulas e da distribuição de apostilas aos cidadãos que não possuem acesso à internet. No longo prazo, o MEC deve incentivar a autonomia dos alunos, através de atividades que possibilitem o protagonismo infanto-juvenil, para que estes tornem-se mais autodidatas.