Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 07/05/2020

Em meio ao contexto da pandemia de COVID-19 e as medidas de isolamento social, muitas instituições de educação profissional adotaram o método de ensino remoto, reacendendo os debates em torno das perspectivas e desafios em relação a educação a distância (EAD) no Brasil. Nesse contexto, se por um lado a modalidade educacional, em sua relevância, representa a oportunidade de acesso à educação para muitos brasileiros, por outro, essa potencializa as múltiplas formas de exclusão social. Assim, é necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com o Ministério da Educação promova medidas para alcançar as potencialidades da EAD para a população em questão.

Em primeira análise, a Constituição Federal de 1988, no artigo 206, determina o acesso à educação como um direito social comum entre os indivíduos. Analogamente, na sociedade hodierna, as plataformas de ensino virtual garantem,segundo uma pesquisa efetivada pela revista Veja, a democratização do ensino para 1,5 milhão de brasileiros, uma vez que devido a grande extensão territorial do país, esses enfrentam inúmeros obstáculos na efetividade de sua formação educacional, no ambiente presencial. Logo, devido a flexibilidade de horários e diminuição de gastos, como transporte e mensalidade, essa alternativa educacional torna-se mais atraente entre os usuários.

Em segunda análise, segundo o filósofo Pierre Lévy, toda nova tecnologia gera seus excluídos, resultado da limitação tecnológica e financeira de cobertura e qualidade de internet oferecida, uma vez que segundo a Rede de Distribuição de Conteúdo de Internet, 14% dos brasileiros ainda não tem acesso à fibra óptica. Somado a esse contexto de desigualdade, salienta-se o despreparo de discentes e docentes no uso das plataformas devido à falta de uma alfabetização educacional. Dessa forma, deve-se educar para a complexidade, estabelecendo uma educação transdisciplinar as diversas ferramentas da sociedade em rede.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Com vistas a alcançar as potencialidades da EAD e diminuir a exclusão pela limitação do acesso tecnológico, urge que o Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com o Ministério da Educação(MEC), estabeleça “hotspots” de utilização da internet com pontos de conectividade gratuitos, em praças e parques, principalmente, em regiões menos favorecidas por operadoras desses serviços, por meio de parcerias com empresas privadas e escolas que podem oferecer laboratórios de informática para o uso. Além disso, antes da implementação dessa modalidade o MEC deve promover a alfabetização digital, oferecendo cursos em modalidades virtuais e centros universitários para os indivíduos mais atingidos por essa exclusão, como idosos e pessoas de classes sociais menos favorecidas.