Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 10/05/2020

Aristóteles, filósofo grego, ao fundar sua escola, Liceu, adotou uma nova forma de ensino em que os estudantes aprenderiam ao ar livre e caminhando, assim, seus alunos foram chamados de peripatéticos.No cenário atual do século XXI, com tecnologia e internet, a nova forma de ensino é a modalidade à distância.Entretanto, diferentemente dos peripatéticos, os alunos do EAD podem encontrar muito mais obstáculos no aprendizado.Deve-se, então, discutir a educação digital e seus desafios.

Em primeiro lugar, o ensino à distância deve ser visto com bons olhos quando atinge aqueles que podem utilizar essa modalidade.Deste modo, se o aluno possui acesso à internet e deseja fazer um curso que não demanda muitas aulas práticas, essa é uma alternativa viável.O EAD pode ser a solução para o estudante que mora longe da faculdade, não tem muito tempo para perder em deslocamento, não possui renda para sustentar uma vida universitária e precisa de um curso com horários mais flexíveis.No entanto, é necessário salientar que este irá precisar de um ambiente propício para estudar com concentração, aparelhos eletrônicos que permitam um bom acesso às plataformas de ensino, juntamente com uma boa conexão de internet para não ter problemas em visualizar as aulas e atividades.Porém, essa não é a realidade de todos os estudantes.

Dados do IBGE apontam que em 2018 mais de 25% da população brasileira não tinha acesso à internet e, segundo pesquisa da TIC Domicílios 2018, 42% dos lares não possuem acesso a computadores.Torna-se evidente que, propor uma educação 100% à distância, como está sendo feito diante da pandemia do coronavírus, é inviável pois não abrange toda a população estudantil e aumentará a desigualdade educacional do país.Além de que, a escola se constitui em um importante fator para a socialização do indivíduo e, ter professores presentes, principalmente no ensino fundamental e médio, é essencial para os alunos que necessitam de mais atenção no processo de aprendizagem.

Portanto, a atual conjuntura de pandemia serviu para mostrar ainda mais a desigualdade presente no Brasil. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação investir, sim, em educação à distância, por meio de cursos para capacitar professores para essa forma de ensino, visando alcançar universitários que podem adotar esse método, mas também, levar em conta que esta não é uma opção para escolas e todos os estudantes de faculdade, sendo necessário, agora, no momento da pandemia, suspender o calendário e adiar vestibulares para que nenhum aluno seja desfavorecido injustamente, e para o futuro, melhorar a qualidade do ensino presencial. Assim, os dois modos de ensino serão convenientes.