Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 19/05/2020

Em março de 2020, o avanço da epidemia da COVID-19 fez com que muitas instituições escolares aderissem à educação a distância (EAD), devido ao isolamento social requerido no contexto. Nesse ínterim, as potencialidades dessa modalidade de ensino  ficaram bastante evidentes, uma vez que a multifuncionalidade e o alcance dos aparatos cibernéticos permitem a execução de diversas dinâmicas nas aulas on-line, além de dispensarem o espaço físico para sua realização.  Entretanto, é necessário avaliar que, no Brasil, o fosso de desigualdade social é refletido na exclusão de grande parte da população, que não tem acesso a esses meios digitais.

De primeira, é vital pontuar que a dinâmica do EAD permite a exploração de diferentes recursos visuais e audiovisuais, que facilitam o ensino e a aprendizagem, além de romper com barreiras geográficas e sociais. Isso ocorre porque, segundo o sociólogo Pierre Levy, a internet é uma ferramenta multimodal, capaz de fornecer uma série de informações funcionais à pessoas com as mais diversas concepções de mundo, espalhadas pelo globo. Exemplo disso é o canal voltado para educação científica, Manual do Mundo, em que o youtuber, Iberê, através de experiências e animações lúdicas, ensina conceitos físicos e químicos de forma mais aplicável e intrigante. Nesse sentido, é possível afirmar que a educação digitalizada é uma   perspectiva de ensino alternativo, capaz de reinventar as aulas meramente expositivas do ensino tradicional e de cativar um grupo mais diverso de alunos espalhados pelo país.

Ademais, é necessário apontar a desigualdade de acesso à internet como um reflexo do fosso social do país, impedindo o gozo das perspectivas do EAD por todos cidadãos nacionais. Isso ocorre porque, embora o acesso à internet seja um direito assegurado pela ONU, segundo o filósofo camaronês Achille Mbembe, O Estado  desconsidera a humanidade e os direitos humanos de minorias  sociais, marginalizado-as e privando-as de direitos naturais. Nesse sentindo, a exclusão digital deve ser liquidada pelo Estado e seus agente, visando garantir a ponte entre alunos e professores que possam tirar proveito mútuo da  educação a distância.

Por fim, para que as potencialidades do EAD sejam, cada vez mais, prósperas e seu uso mais equalizado, algumas medidas devem ser adotadas pelo governo. De primeira, os cursos de licenciaturas devem incluir cadeiras de ensino digital, arquitetadas pelo MEC, visando formar profissionais mais aptos a utilizar esse meio de forma educativa e dinâmica, afastando-se do tradicionalismo da educação atual. Ademais, uma parceria deve ser feita entre os governos municipais e provedores de internet para disponibilizar o acesso em regiões remotas do país.