Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 18/05/2020
Em janeiro de 1978, ocorreu a primeira transmissão do programa televisivo “Telecurso”, o qual tinha o objetivo de ensinar conteúdos do ensino médio para todos que desejassem aprender algo novo sem sair de casa. As décadas se passaram e um novo meio de comunicação se tornou extremamente popular: a internet. Assim, o ensino, que já era realizado remotamente por rádios e televisões, teve uma nova possibilidade, agora virtual, com amplos recursos midiáticos. Entretanto, ainda há muitos desafios a serem solucionados para uma educação a distância eficiente no Brasil. Entre esses empecilhos estão a falta de infraestrutura domiciliar do estudante e a complexa questão da interação aluno-professor, que é dificultada por um meio remoto.
Em primeiro lugar, nas sociedades emergentes, como o Brasil, a renda familiar é extremamente baixa para grande parte da população, impossibilitando condições favoráveis ao estudo. De acordo com Manuel Castells, no seu livro “A Sociedade em Rede”, a época atual consiste em uma ampla rede de conhecimento descentralizado e que permite o acesso universal. Todavia, nessas comunidades a chance de desfrutar as maravilhas da vida moderna é mais escassa, já que a tecnologia é muito cara. Para ter internet de boa qualidade, é necessário possuir energia elétrica e uma renda mensal que permita pagar por uma assinatura, além de um dispositivo como um computador ou um celular. Ademais, muitas pessoas moram em um único quarto, inevitavelmente distraindo o estudante.
Em segundo lugar, aqueles que de alguma forma conseguem ter o acesso a esse tipo de educação remota enfrentam o problema da constante desmotivação e procrastinação, visto que não há alguém que acompanhe seu estudo integralmente. Segundo Edgar Morin, a sociedade atual deve educar para a complexidade, de modo interdisciplinar. Não obstante, é uma tarefa árdua ao ensinar a distância, já que o professor não possui interação individual com cada aluno e, dessa forma, não consegue avaliar se este está aprendendo o conteúdo e muito menos se consegue aplicar seu conhecimento em questões mais complexas que envolvem diversas áreas do conhecimento.
Em suma, a educação a distância no Brasil necessita de muitas mudanças para promover melhor eficiência pedagógica. Portanto, urge que o Ministério da Educação apoie pesquisas para criar novas formas de ensinar remotamente, por meio de incentivos financeiros a universidades que trabalhem com tal questão. Essas pesquisas devem considerar a realidade das famílias brasileiras, a fim de facilitar o processo de aprendizagem de milhões de estudantes. Só assim o ensino remoto possibilitará chances para todos, da mesma forma que o ideal do antigo programa “Telecurso”.