Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 18/05/2020

Antes mesmo de 1900, surgiu no Brasil os cursos por correspondência, em que a especialização ocorria através de cartas, método que foi utilizado em larga escala até a década de 1990, mostrando que a educação sempre buscou transpor as barreiras físicas. Atualmente, a educação a distância (EAD) conta com uma tecnologia mais eficiente para difundir conhecimento: a internet. Desse modo, essa modalidade de ensino contemporânea torna-se um grande avanço e precisa ser defendida, pois possui muitos benefícios, principalmente quando problemas sociais são solucionados.

Primeiramente, é importante destacar que segundo uma pesquisa feita pelo portal G1, em 2019, cerca de 20% das graduações são realizadas na categoria a distância, ou seja, um número expressivo que demostra sua popularidade. Esse tipo de educação é muito procurado pelo fato de ser mais acessível, pois permite rotinas de estudo com tempo mais flexível, além de menor gasto com mensalidade e transporte. Desse modo, a educação é desburocratizada, assim como afirma Manuel Castells em seu livro “A sociedade em rede”. Na obra, Castells revela que devido a conectividade em massa, pode-se haver uma descentralização do ensino, que vai abranger uma maior parcela da população, que poderá se especializar com qualidade de um modo mais simples e com menor custo.

Entretanto, a EAD ainda não foi plenamente democratizada no Brasil devido as adversidades. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por volta de 30% da população não possui acesso à internet, inviabilizando totalmente o uso da modalidade citada, já que ela depende exclusivamente da web. Somado a isso, o fato do território brasileiro ter proporções continentais cria um ambiente muito desigual, em que existe regiões bastante desenvolvidas como o Sudeste, e outras remotas em que não existe ao menos eletricidade, como comunidades ribeirinhas no Amazonas. Esses fatores impedem que o ensino alcance toda a população, descumprindo o artigo 205 da Constituição, no qual afirma que a educação é um direito de todos e dever do Estado promove-la.

Portanto, é evidente que a EAD é indispensável para a democratização do ensino, mas para ter maior qualidade e abrangência são necessárias algumas medidas. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Tecnologia, desenvolva um projeto de integração digital. O plano irá contar com prédios equipados com computadores, internet de qualidade e um ambiente voltado para o estudo em regiões afastadas, para permitir que alunos, através de um cadastro digital, possam usar esses mecanismo sem custo para sua graduação e ampliação de conhecimento. Só assim, com um alongamento do acesso à internet em um ambiente próprio, será possível ampliar a EAD e permitir que a educação seja um direito social desfrutado por todos no país.