Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 20/05/2020

Desde a Revolução Industrial, no século XVIII, as inovações tecnológicas mudam as formas de organização social. Conforme a internet se populariza ao longo das últimas décadas, o ensino a distância se torna uma opção viável, principalmente na educação superior, por dispensar o deslocamento físico. Porém, o EAD ainda é inacessível para grande parte da população e pode comprometer a interação entre professor e aluno.

Visto que, de acordo com o IBGE, cerca de 63% dos domicílios têm acesso à internet, a educação a distância é um privilégio no Brasil, pois os outros 37% não possuem a infraestrutura básica que essa modalidade requer. Assim, o EAD passa a ser indicador da desigualdade presente no país, já que apenas uma parcela favorecida da população consegue estudar em casa enquanto as camadas mais pobres nem ao menos cogitam essa possibilidade.

Além disso, a internet funciona como mediadora nesse processo e modifica a interação entre professor e aluno, fator importante para o ensino. Devido ao fato de os discentes serem os únicos responsáveis por administrar seu aprendizado, além de inúmeras distrações presentes no ambiente domiciliar, como barulhos e a possibilidade de realizar atividades mais divertidas, por exemplo, e da falta de um espaço adequado para estudar em muitas casas,  é comum que esses estudantes prestem menos atenção nas aulas online do que nas presenciais.

Desse modo, fica clara a necessidade de uma maior cautela na implantação do ensino a distância no Brasil. Para isso, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Educação, criar um órgão responsável por financiar polos acadêmicos nas regiões periféricas, com equipamentos e acesso à internet, com o objetivo de tornar o EAD acessível às classes mais baixas. Por fim, as instituições acadêmicas devem formar um conselho com os professores para pensar em meios de tornar as aulas mais dinâmicas, visando uma efetiva participação dos alunos.