Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 25/05/2020

Segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, “O homem não é nada daquilo que a educação faz dele.”. Com isso, a educação é uma diretriz para as distintas sociedades humanas e, com a eclosão da globalização, a disseminação da internet contribuiu para as regularidades de novas formas de relações educacionais, como a exemplo, a elaboração do ensino a distância (EaD). No Brasil, destarte, com o acesso à internet e às mídias sociais, a educação a distância tem tornado-se uma realidade para os estudantes e permitiram que várias atividades sejam realizadas de maneira remota. Logo, é crucial destacar os principais obstáculos que o país enfrenta diante da implantação de um sistema de cursos EaD.

A centralização das atividades impulsionadas pelo ensino a distância desenvolve uma série de problemas, incluindo a enorme desigualdade de acesso existente no Brasil relacionado ao acesso à internet. Sendo assim, no momento atual, a quarentena ocasionada pelo coronavírus mantém em casa milhões de brasileiros, abrangendo crianças, adolescentes e jovens, que tiveram suas atividades educacionais presenciais suspensas de acordo com determinações governamentais. Logo, a internet torna-se potencialmente o principal meio de acesso aos estudantes às informações. No entanto, segundo uma pesquisa feita por estudantes do Colégio Técnico de Campinas, menos de 70% dos alunos possuem acesso a computadores e 35,7% dos que têm acesso compartilham com três ou mais pessoas. Deste modo, a implantação dos cursos de EaD no país não reforça igualdade ao analisar regiões mais afastadas do Brasil que ainda sofrem com a falta de infraestrutura básica.

Outro ponto que deve ser analisado é ampliar a oferta e garantir a qualidade do ensino. No Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), em 2017, realizado com estudantes concluintes do ensino superior, cursos presenciais obtiveram conceito máximo e, no ensino a distância, apenas 2,4% obtiveram tal feito. Dessa maneira, é fato priorizar que os sistemas de ensino a distância precisam ser mais elaborados, além de preservarem atividades presenciais que geram conveniência com o corpo acadêmico.

Com base nos argumentos apresentados, torna-se viável salientar a existência de medidas rigorosas que colaborem para o crescimento do EaD no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação, com a participação das Universidades Públicas e Privadas,  priorizar o aprimoramento do modelo do ensino a distância, concebendo aos alunos realizarem a parte teórica e praticando presencialmente nas instituições de ensino toda a parte prática, objetivando estimular a socialização com o corpo acadêmico. Assim, como afirmou Paulo Freire, “Ensinar não é transferir conhecimento, e sim criar possibilidades.”