Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 18/07/2020

De acordo com o filósofo Immanuel Kant: “A educação é o maior e mais difícil problema imposto ao homem”. Nesse contexto, a educação à distância (EaD) tem crescido no país por ser mais flexível e barata em relação à forma presencial. Todavia, embora seja prática, a falta de acesso à internet por grande parcela da população, bem como a questionável qualidade do ensino representam desafios para consolidação dessa modalidade.

A priori, convém ressaltar que, na EaD, as aulas podem ser assistidas em locais e horários mais convenientes para estudantes, basta apenas conectar-se à internet. Fato que torna essa opção bastante atrativa, principalmente para aqueles que, devido o trabalho e a distância, não possuem outra alternativa. No entanto, segundo dados divulgados pelo IBGE, um em cada quatro brasileiros não tem acesso à rede. Consequentemente, essa modalidade torna-se inviável para muitos indivíduos, cujo desejo de se profissionalizar mais uma vez encontra obstáculos.

Ademais, a qualidade do ensino proposto tem sido muito questionada, uma vez que a interação entre aluno e professor, no ambiente virtual, mostra-se superficial. Modelo que, portanto, contraria a ideia do filósofo Sócrates de que a dedicação ao diálogo é fundamental para conquistar o conhecimento. Outrossim, algumas profissões, como da área da saúde, requerem o contato entre pessoas durante o processo de aprendizagem. Desse modo, quando as relações humanas não são priorizadas, os estudantes são lançados ao mercado de trabalho despreparados.

Sendo assim, tendo em vista a problemática supracitada, fica evidente que o acesso e a qualidade da educação à distância precisam ser aprimorados. Para tanto, o Governo Federal deve, por meio de convênios com provedores locais de internet, conceder pacotes gratuitos à população de baixa renda, podendo ser usado como critério a participação no programa Bolsa Família. O fito de tal ação é garantir a universalidade do serviço para que mais pessoas sejam incentivadas e tenham as condições básicas para se profissionalizar. Além disso, é dever do Ministério da Educação impor o mesmo padrão dos cursos presenciais e assegurar que os profissionais formados sejam qualificados. Assim, a educação deixará de ser considerada um problema difícil.