Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 26/05/2020
Na metade do século XX, com o advento da Revolução Técnico Informacional, popularmente conhecida como Terceira Revolução Industrial, tem-se o desenvolvimento de uma era tecnológica, marcada pelo uso de computadores e pelo acesso à internet. No cenário brasileiro atual, uma grande potencialidade de uso desses aparatos tecnológicos é a Educação à Distância (EAD). No entanto, apesar das oportunidades oferecidas por essa modalidade de ensino, há diversos entraves quanto a sua utilização.
Em primeiro plano, vale destacar os aspectos positivos da EAD. Conforme o pedagogo Paulo Freire, considerado patrono da educação nacional, no processo de aprendizagem, a autonomia e emancipação dos indivíduos devem ser prezados. Nessa perspectiva, o ensino on-line aproxima-se da ótica freiriana, uma vez que requer dos educandos uma postura mais ativa e disciplinada para adquirir conhecimento fora dos padrões tradicionais de sala de aula. Além disso, o ensino não presencial contribui com a democratização do acesso à educação ao permitir que pessoas situadas em locais sem a presença de universidades, por exemplo, também possam ter uma formação educacional de qualidade.
Contudo, observa-se entraves a essa conjuntura. Segundo o filósofo Pierre Lévy, toda tecnologia gera seus excluídos. Nesse viés, a exclusão digital atua como empecilho ao pleno desenvolvimento da EAD no Brasil, tendo em vista que não são todas as regiões abrangidas pela cobertura de internet. Adicionalmente, mesmo a parcela populacional provida das tecnologias necessárias ao ensino virtual enfrenta desafios quanto ao domínio do uso das mesmas. Dessa forma, tais barreiras devem ser superadas para que o ensino a distância estabeleça-se, de fato, como uma forma de diminuir as desigualdades socioeducacionais, não aumentá-las.
Portanto, a fim de possibilitar a ocorrência plena do ensino digital e reduzir a exclusão digital, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve ofertar, por intermédio de parcerias público-privadas, pontos de acesso à internet gratuitos - os chamados “hotspots” -, especificamente em regiões remotas. Ademais, com o fito de permitir aos educandos os conhecimento técnicos para utilizar as plataformas educacionais on-line, o Ministério da Educação deve promover a alfabetização digital, por meio da disponibilização de cursos capacitantes a serem ministrados por profissionais da área de informática em centros comunitários. Espera-se, assim, que as tecnologias resultantes da Revolução Técnico Informacional sejam instrumentos na construção de uma sociedade permeada pelo efetivo acesso à educação.