Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 26/05/2020

A Constituição Federal de 1988 garante que a educação é uma condição básica, um direito de todos e dever do Estado provê- la à população. Porém, em situações extremas, como pandemias, o aluno é obrigado a afastar-se do ambiente escolar, o que deixa uma incógnita sobre a continuação dos estudos. Dessa forma, a educação à distância seria uma saída para problema, mas os desafios que essa enfrenta no Brasil, como a negligência governamental com o setor educacional, demonstram a ineficiência desse programa no país, uma vez que existe a dificuldade ao acesso de grande parte população à internet.

Primeiramente, a negligência governamental é o principal dificultador na manutenção de um sistema educativo on-line. Em síntese, no meio social que se encontra, o abandono do Estado à necessidade do ensino cria um indivíduo desorganizado e sem perspectiva do papel que ocupa em sociedade, o que recorda a tese aristotélica de que a política deve trazer felicidade ao cidadão. Claramente, não é a situação hodierna do Brasil, uma vez que o descaso do governo com investimentos educacionais priva o brasileiro do desenvolvimento intelectual.

Em segunda instância, uma pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento coloca o Brasil como o 7° país mais desigual do mundo. Em resumo, pelo menos 13 milhões de brasileiros vivem em situação de miséria, sem acesso à água, alimento e luz, e por consequência, sem internet. Logo, é impossível que haja eficácia de um sistema que exclui parte da população e promova a diferença entre a capacidade dos indivíduos, já que uma parte possui o material necessário enquanto a outra é esquecida pelo governo.

Portanto, mostram - se necessárias medidas que solucionem as questões do abandono estatal e facilitem o acesso à internet para a população como um todo. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação financiar esse avanço no setor educativo a partir do fornecimento de aparelhos e materiais à população sem condições de bancá-los, uma vez que a educação é bem básico do Estado. Além disso, é dever das escolas realizarem cursos profissionalizantes com finalidade de adaptar a sociedade ao ensino a distância, para que o indivíduo tenha noção do papel que tem sobre essa nova modalidade. Dessa forma, quando o setor educacional cumprir os deveres que lhe foi condicionado, a educação volta a ser direito básico, como proposto na Constituição Federal de 1988,e não mais um privilégio.