Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 27/05/2020
Brasil, país dos paradoxos. De fato, o país que não consegue diminuir as desigualdades sociais e que não oferece o mínimo de condições de vida para a maioria da população, é o que pretende implementar a educação não presencial em todas as etapas de ensino. Assim, é óbvio que tornar essa medida socialmente acessível é desafiador.
É importante salientar, a priori, a relação entre as desigualdades sociais, oriundas da corrupção e concentração de renda, com o acesso limitado e ineficiente à educação. Com efeito, a parcela pobre da população tem dificuldades de acompanhar os estudos, pois precisa trabalhar para complementar a renda e sobreviver. Isso, resulta em uma grande evasão e um maior déficit no processo de alfabetização, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), por exemplo, estima que cerca de 11,5 milhões de brasileiros são analfabetos e que esse número está ligado a fatores econômicos e étnico-racial. Dessa forma, é notável a falta de oferta de infraestrutura educacional- transporte, tecnologia, escolas, professores- na maioria das regiões periféricas do Brasil. Logo, é evidente que, diante dos problemas da educação presencial, fica claro os resultados da implementação da não presencial.
Diante do panorama supracitado, é evidente que o ensino não presencial só irá escancarar ainda mais as desigualdades, pois não é acessível. Sem dúvida, apesar da proposta de implantação do projeto do ensino a distância, autorizado pelo Conselho Nacional de Educação, enumerar as formas de acesso aos conteúdos curriculares- redes sociais, vídeo aula pela internet e televisão, matérias impressos- poucas famílias têm estrutura para manter os filhos estudando, pois falta estrutura física, as tecnologias e internet, e familiar, pois os pais nem sempre conseguem substituir os professores. Assim, de fato a sociedade brasileira ainda não está preparada para este estilo de ensino, principalmente as séries iniciais, e a pandemia do Coronavírus tem mostrado isto.
Portanto, para implementar o ensino não presencial, é necessário uma abordagem multifacetária, que começa pela distribuição de renda. Porém, a curto espaço de tempo o Ministério da Educação, juntamente com as instituições escolares, deve estruturar estabelecimentos de ensino e qualificar professores no uso de tecnologias que possam transmitir aulas on-line. Além disso, investir nas famílias de baixa renda, por meio da doação de computadores e acesso à internet, com a finalidade de facilitar a inclusão desse público a educação virtual. Destarte, será dado o primeiro passo para diminuir as disparidades sociais.