Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 27/05/2020
Segundo o filósofo francês Pierre de Chardin, a humanidade está constantemente evoluindo e rumando para um futuro ideal, nomeado por ele como Ponto Ômega. No entanto, quando se trata da atuação da educação a distância (EAD) no Brasil, apesar de boas perspectivas quanto ao futuro dessa possibilidade de aprendizado, o presente ainda não parece estar se encaminhando em direção ao ponto idealizado. Nesse sentido, é necessário analisar como o preconceito e a inclusão digital atuam sobre o problema, para então solucioná-lo.
Em primeiro plano, é notório que a descrença na qualidade de tais serviços corrobora a perpetuação do problema. Apesar do aumento da popularidade da EAD com o passar dos anos, muitos ainda não se sentem confortáveis em utilizar essas plataformas em substituição às formas tradicionais de aprendizado. De fato, a inexistência de um órgão regulador desses serviços online torna possível a existência e a possibilidade de crescimento de cursos e aulas com conteúdos contestáveis, fomentando assim o preconceito sobre o ensino a distância. Nesse sentido, apesar de, teoricamente, ser mais prático e acessível à população, a necessidade de regulamentação é imprescindível para que ocorra um aumento dos adeptos à essa “nova” forma de se aprender.
Além disso, deve-se perceber que questões socioculturais estão diretamente associadas ao entrave. Segundo pesquisa feita pelo IBGE, cerca de 46 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet. Atrelado a essa realidade, ainda existe a dificuldade na aquisição de produtos que permitem a utilização da rede. Ambas situações configuram a carência na inclusão digital de uma considerável parcela dos cidadãos, sendo assim um grande obstáculo para que esses possam acessar as aulas virtuais. Sem possuir aparelhos que podem se ligar à internet e/ou uma rede estável, tarefas simples como assistir a uma videoaula, de apenas alguns minutos, torna-se impossível.
Conclui-se, portanto, que ainda existem desafios a serem superados para que a EAD seja completamente eficiente e disponível a todos os brasileiros. Diante desse quadro, o governo deve investir na melhoria do acesso à rede, por meio do aumento de verbas destinadas a esse setor. Isso deve ocorrer com realização de obras de infraestrutura de rede nas áreas carentes de tal serviço, além da redução do IPI de bens tecnológicos, a fim de permitir que um maior número de pessoas consiga ter o acesso garantido à internet e, com isso, aos conteúdos online. Outra medida necessária é a realização de uma fiscalização eficaz ao que se é disponibilizado virtualmente que, comandado pelo Ministério da Educação, deverá autorizar ou privar conteúdos voltados ao ensino. Somente após essas mudanças, o Brasil poderá finalmente começar sua caminhada em busca do aspirado Ponto Ômega.