Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 03/06/2020

A Revolução técnico-científica foi um marco histórico, uma vez que através dela foi intensificado o processo de globalização, caracterizado pelo grande desenvolvimento na área da ciência e informática. Nesse sentido, tal acontecimento em virtude das mudanças causadas, refletiu na modernização do oferecimento de ensino, visto que possibilitou o surgimento da Educação a distância (Ead). Contudo, apesar de ser um avanço tecnológico na esfera educacional, o acesso a essa ferramenta não ocorre de maneira igualitária. Sob tal ótica a universalidade e implementação do Ead na atual conjuntura brasileira enfrenta desafios, seja pela precariedade de inclusão digital, seja por falhas na sociedade.

Primeiramente, faz-se necessário analisar a deficiência da inclusão digital no contexto atual. Nesse viés, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria sobre o Espaço Público, os ambientes e as instituições públicas – inclusive as escolas e as faculdades – têm que ser completamente inclusivas a todos do espectro social para exercer sua total funcionalidade e genuinidade. Todavia, o ensino a distância fere esses princípios elencados pela filósofa, posto que no Brasil, país subdesenvolvido, as desigualdades sócio-econômicas são acentuadas, fator responsável pela inviabilização a inclusão digital e, por conseguinte, a totalidade do ensino a distância. A partir disso, tal fato decorre, sobretudo, que boa parte dos brasileiros não possui acesso a internet, bem como aparelhos eletrônicos, o que dificulta a efetividade desse mecanismo.

Outrossim, é válido ressaltar que considerável parcela da população não busca reverter essa situação. Desse modo, isso é reflexo da falta de conhecimento acerca da temática que ocasiona alienação, motivo pelo qual os indivíduos não desenvolvem senso critico frente a circunstâncias abusivas. Atrelado a isso o escritor José Saramago, no romance “Ensaio sobre a cegueira”, define o conceito de “eclipse de consciência” como a falta de sensibilidade do indivíduo perante os desafios enfrentados pelo próximo. Sob essa perspectiva, o pensamento do escritor está relacionado com ausência de empatia que permeia o âmbito brasileiro, no qual a parte favorecida da sociedade se cala diante das questões que prejudicam grupos menos favorecidos, já que que ignora a importância de determinados recursos, como acesso a educação, para o cumprimento de direitos sociais. Com base nisso, é essencial superar esses paradigmas que prejudicam diversos cidadãos.

Logo, é notório como essa problemática é recorrente na contemporaneidade. Portanto, é imprescindível que o Governo, órgão mister do Estado, aliado a empresas de tecnologia, promova a inclusão digital, por meio da criação de programas de internet gratuita para indivíduos de baixa renda, a fim de garantir a equidade na utilização do mecanismo de ensino a distância.