Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 01/06/2020
Segundo o filósofo contemporâneo Pierre Lévy, a virtualização é a passagem do real para o virtual, sendo que o virtual não é o oposto do real e sim uma continuação dele. Analogicamente, a educação a distância ( EaD), é uma virtualização da aprendizagem a qual possui perspectivas e desafios no Brasil. Apesar da Ead oferecer a possibilidade de levar a educação a indivíduos historicamente excluídos socialmente, do modo que se apresenta, atualmente, enfrenta como obstáculos a falta de acesso à internet e o analfabetismo digital.
Em primeira análise, é fato que a educação remota possui vários benefícios para a população brasileira. Conforme o artigo 205 da Constituição do Brasil, a educação é um direito de todos e dever do Estado. Com as plataformas on-lines, ocorre uma maior acessibilidade financeira, espacial e temporal, haja vista que os cursos EaD são, majoritariamente, mais baratos que os presenciais e podem ser acessados de qualquer lugar e horário. Logo, o processo de virtualização da educação é um excelente caminho para a efetivação do direito à educação , uma vez que, no Brasil, as pessoas de baixa renda poderão conseguir uma formação acadêmica.
Entretanto, essa modalidade de ensino enfrenta desafios como a falta de acesso à web e o analfabetismo digital. Ainda que a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha declarado o acesso à internet um direito do século XXI, muitos brasileiros não possuem internet em suas residências o que dificulta o processo de virtualização do conhecimento pela EaD. Além disso, como bem disse o filósofo citado Lévy, toda nova tecnologia cria seus excluídos, visto que a falta de conhecimento digital acaba excluindo do indivíduo de uma plena utilização do curso remoto adquirido. Dessa modo, as populações socialmente excluídas, por exemplo, pessoas pobres e de regiões de difícil locomoção, continuam não tendo o direito à educação garantido.
Portanto, é imprescindível que sejam medidas tomadas para combater a exclusão digital no Brasil . Para isso, o Ministério da Ciência ,Tecnologia, Inovações e Comunicação em parceria com Ministério da Educação devem promover a ampliação de subsídeos para a compra de banda larga digital, por meio de planos gratuitos para pessoas em situação de pobreza, já que a ONU declarou o acesso à internet um direito da comtemporaneidade, com a finalidade de erradicar a exclusão digital no Brasil. Além disso, esses dois Ministérios têm que promover aulas de infórmatica nas escolas, por intermédio de técnicos em informática, para erradicar o analfabetismo digital, pois muitas pessoas possuem dificuldades em acessarem as plataformas. Somente assim, o conceito de virtualização do Pierre Lévy será usado para a democratização da educação no país.