Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 02/06/2020

A educação a distância (EaD) é uma forma de ensino-aprendizagem mediada por tecnologias que permitem que o professor e o aluno estejam em ambientes físicos e temporais diferentes. Nesse sentido, pode-se dizer que essa ferramenta tem um grande potencial transformador e inclusivo na educação formal dos cidadãos brasileiros. Porém, apesar de a EaD oferecer a possibilidade de levar a educação a indivíduos excluídos histórica e socialmente, do modo como essa se dá hoje, ainda enfrenta desafios como o preconceito e a exclusão digital.

De início, cabe ressaltar que a EaD não é recente - outrora efetivada via carta; rádio; e televisão -, logo, a internet é apenas uma atualização da tecnologia pra essa forma de ensino. Nessa perspectiva, o sociólogo Manuel Castells, em sua obra “Sociedade em rede”, enfatiza que a descentralização do conhecimento promovido pela internet possibilita um acesso mais democrático à educação. Sob esse viés, há a perspectiva de implementar a EaD como ferramenta complementar de auxílio no ensino e com foco na multimodalidade, de modo a enriquecer o método tradicional de aulas em sala, tornando-a um vetor de conhecimento.

Por outro lado, no Brasil hodierno ainda persiste a marginalização social histórica de uma parcela da população na efetivação de seus direitos. Para o filósofo francês, Pierre Levy, a virtualização é a passagem do atual para o virtual, ou seja, é a perda progressiva dos limites entre o real e o virtual, pois um não é o oposto do outro. Analogamente, a exclusão digital é uma das desigualdades de acesso à educação formal nesse país. Dentre essas exclusões, pode-se destacar a tecnológica (relativo a computador, celular), a infraestrutural (ausência de internet ou de má qualidade), a financeira (falta de poder aquisitivo), e, por fim, a institucional (fatores e serviços efetivados apenas por meio do acesso à internet) que barra esses indivíduos de acessarem esses direitos, infelizmente.

Fica evidente, portanto, que a EaD é uma ferramenta importante para a efetivação do direito do brasileiro à educação. Para tanto, o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério da Educação podem investir na ampliação de subsídios para a compra de equipamentos e para planos de internet banda larga residenciais, escolares e comunitários, de baixa renda, bem como, fornecer cursos de capacitação profissional para os docentes da EaD, além disso, estabelecer as regras desse ensino no Brasil, tudo isso no intuito de democratizá-lo. Assim, a população terá oportunidade de exercer um direito fundamental garantido pela Constituição Cidadã.