Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 02/06/2020

Em uma nota oficial lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011, o acesso a internet foi decretado como direito humano do século XXI. Nesse âmbito, as novas tecnologias estão sendo implementadas nos meios de ensino, como a nova modalidade de educação a distância (Ead). Mesmo com todos os benefícios ofertados pelo uso da internet na educação, a exclusão social se expande à exclusão digital e compromete o acesso igualitário no Ead. Dessa forma, faz-se necessário analisar as perspectivas e os desafios da educação a distância no Brasil.

Primeiramente, a educação a distância pode auxiliar na democratização do ensino, levando conhecimento para regiões remotas. No livro “Cibercultura”, o sociólogo francês Pierre Lévy introduz a ideia do ciberespaço, espaço no qual no qual ocorre a troca de informações, conhecimento e há interação entre os usuários. Nesse sentido, a homologação  do ensino ao ciberespaço  possibilita que os alunos façam diversos cursos em plataformas on-line. Além de promover alcance ao ensino, a virtualização proporciona a  multimodalidade, desse modo as aulas podem ser montadas de forma dinâmica com anexos de vídeos, músicas e dados. Em suma, o aluno conta com inúmeras inovações que facilitam seu aprendizado e otimizam seu tempo, visto que, o Ead pode adequar-se a cada rotina.

Em segundo plano, a exclusão digital é o grande desafio para a aplicação igualitária do ensino remoto. Nessa perspectiva, há limitações quanto a cobertura e a qualidade das redes de internet, especialmente em zonas periféricas. Além disso, a obtenção do denominado letramento digital apresenta-se como empecilho para dicentes e docentes, já que não possuem o domínio sob as novas tecnologias tendem a passarem dificuldades na modalidade de Ead. Como supracitado, o sociólogo Lévy ao estudar o novo convívio virtual afirma que, toda nova tecnologia gera seus excluídos, afirmação que coincide com a nova exclusão digital. Indubitavelmente, a exclusão digital é um desdobramento da social, uma vez que, os obstáculos demonstram-se para as classes menos favorecidas e com menos acesso à educação.

Destarte, as perspectivas e os desafios da educação a distância requerem medidas efetivas para serem minimizados. Nesse viés, o Ministério da Ciência e da Tecnologia deve promover a instalação de “hotspots”, pontos de acesso a internet gratuitos, em locais públicos, por meio da parceria com operadoras de internet, especificamente, em zonas periféricas. Assim como as escolas devem oferecer os laboratórios de informática para a utilização de computadores, para que antes da implementação do Ead seja promovido a alfabetização digital, por meio de cursos nas escolas e em centros comunitários, notadamente, em áreas mais afetadas pela exclusão digital. Espera-se, com isso, o maior alcance do ensino remoto no Brasil.