Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 05/06/2020

Desde o movimento intelectual que surgiu na Europa durante o século XVIII, o Iluminismo, que pregava a disseminação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, uma sociedade só progride quando um se comove com o problema do outro. Entretanto, ao observar a questão da educação a distância no Brasil, percebe-se que esse ideal é contestado. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência governamental e a alienação social colaboram para esse quadro.

Mormente, a inobservância do Governo é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque não há, por parte dos governantes, a preocupação em desenvolver um projeto educacional que possibilite o acesso à educação a distância para os cidadãos que não possuem condições de adquirir aparelhos tecnológicos e internet. Sob esse viés, segundo o sociólogo Bourdieu, existem ’’ Violências Simbólicas ‘’, nas quais a classe dominante exclui e ao mesmo tempo silencia determinada  distorção. Assim, consequentemente, muitos indivíduos por não conseguirem ter acesso à educação virtual, adquirem problemas psicológicos como, por exemplo, complexo de inferioridade, ao se sentirem incapaz de exercer uma profissão.

Outrossim, a alienação social é outro fator primordial para a temática. Essa situação se deve porque a sociedade decide se calar diante de um problema que afeta um determinado grupo. De acordo com a filósofa judia Hannah Arendt, em sua teoria ‘‘Banalidade do Mal’’, o comportamento preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos os normalizam. Nessa perspectiva, por consequência, grande parcela dos cidadãos  que realizam cursos em plataformas digitais, sofrem com a afirmação preconceituosa que qualifica somente profissionais que exerceram  cursos presenciais.

Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Governo Federal, em parceria com os Estados, deve, por meio da elaboração de uma política pública, disponibilizar computadores e internet para os indivíduos que não possuem renda suficiente, além de disponibilizar bolsas de estudos qualificadas mensalmente, a fim de assegurar o direito à educação como consta na Constituição Federal de 1988. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, deve elaborar uma propaganda educacional para os grandes canais de comunicação que mostre os benefícios e as qualificações dos cursos a distância, com o viés de erradicar com o preconceito e possibilitar a disseminação dos cursos online para a população.