Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 08/06/2020

Para o filósofo utilitarista Jeremy Bentham, uma atitude somente é considerada moralmente correta quando proporciona bem-estar para o maior número de pessoas possíveis. No entanto, quando se refere ao ensino a distância - EAD - no Brasil, essa realidade está distante de ser experienciada na prática, uma vez que a exclusão digital e a desvalorização da educação cibernética impedem o usufruto pleno desse recurso por todos.

Em primeira análise, a exclusão digital inviabiliza a popularização desse modelo educacional. Segundo o sociólogo Manuel Castells, a sociedade em rede permitiu a descentralização do conhecimento e, por conseguinte, sua democratização. Entretanto, a falta de acesso integral à internet e a equipamentos tecnológicos pelos indivíduos, em especial a população vulnerável socialmente, vai de encontro à tese do filósofo, haja visto que esses tem seu direito a educação tolhido, o que contribui na sua exclusão e marginalização social. Assim, essa realidade degradante empata a difusão do EAD.

Em segunda análise, a desvalorização da educação a distância colabora nessa problemática. A esse respeito, o sociólogo Edgar Morin alerta que a educação deve se dá de maneira transdisciplinar, ao integrar várias áreas do conhecimento. Contudo, o que se observa é o oposto, já que o EAD é atrelado à má qualidade e à abordagem superficial dos conteúdos, o que contribue no seu subjugo e desvalorização social. Logo, enquanto esse cenário de desprezo se mantiver, o ensino a distância será uma realidade inconcebível.

Fica claro, portanto, que solucionar os desafios da EAD é primordial para reverter essa situação. Para tanto, cabe ao Governo Federal, na figura do Ministério Público, facilitar o acesso da população à produtos tecnológicos - como computadores e tablets, mediante a redução do IPI(Imposto sobre Produtos Importados), a fim de democratizar o uso desses equipamentos e facilitar acompanhamento das aulas virtuais. Por fim, o Ministério da Educação deve criar um órgão que busque fiscalizar as plataformas de EAD, por meio de parceria público privada, com o fito de garantir a qualidade das aulas. Dessa maneira, o bem-estar teorizado por Bentham possa ser estendido para todos.