Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 07/06/2020
Em 1988, Ulysses Guimarães estabeleceu, no artigo 3° da Carta Magna, que a República deveria ser capaz de garantir o desenvolvimento nacional. Entretanto, décadas se passaram, e os indivíduos brasileiros estão distantes de ver a promessa do artigo 3° fora da teoria, visto que,existem desafios para consolidar a educação a distância (EAD),o que prejudica toda a sociedade. Dessa maneira,essa problemática é potencializada não só pela falta de inclusão digital, mas também pela qualidade contestável desse suporte educacional. Sendo assim, torna-se evidente a necessidade de medidas para melhorar e incluir toda a sociedade brasileira nesse sistema.
Em primeiro lugar, convém elucidar que a omissão governamental frente a essa realidade torna-se um obstáculo. Nesse contexto, de acordo com as ideias do contratualista Jonh Locke configura-se uma violação do Contrato Social, já que o Estado não cumpre com sua função de garantir que tais jovens cidadãos usufruam de direitos imprescindíveis, como o direito à educação inclusiva de qualidade. Sob esse prisma, ocorre que, apesar dessa modalidade causar uma maior democratização da educação, por romper barreiras geográficas, muitos brasileiros ainda não possuem acesso a internet. De acordo com dados da pesquisa do “Global Digital Report” o número de “exclusão digital”, chega a 34% da população brasileira. Nesse viés, esses brasileiros tornam-se dessabilitados e esquecidos, sendo expostos a uma condição de maior exclusão e desrespeito.
Outrossim, a qualidade contestável desse meio educacional dificulta o progresso do sistema. Dessa forma, o sociólogo francês, Edgar Morin afirma que para construir a educação do futuro, apesar dela ainda estar vinculada com o passado, mas é preciso fragmentar esse conhecimento. Nesse sentido, é de suma importância a necessidade de educar para a complexidade, ultilizando diversos meios e tipos de conhecimento, não apenas o modo online, mas também o presencial, com práticas e avaliações,já que algumas áreas possuem uma enorme demanda de ser presencial, como medicina por exemplo, por esse modelo crescer rapidamente, ainda precisa-se encontrar um equilíbrio e um aperfeiçoamento.
Diante dos fatos supramencionados, é notória a necessidade de ações para reverter o atual cenário brasileiro. Desse modo,cabe ao Poder Público destinar maiores investimentos para a EAD,por meio de redução do IPI de bens tecnológicos e para instalação de internet em zonas rurais, também promover cursos online gratuitos para os diversos alunos. Ademais, cabe ao Ministério de Educação,fiscalizar as instituições que promovem cursos online, por meio de parcerias Público Privadas com empresas de tecnologia, com a finalidade de melhorar a qualidade dessa nova modalidade estudantil. Assim, caso essas medidas ocorram, possibilitará que a promessa de Guimarães deixe de ser apenas teoria.