Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 04/07/2020
A Educação a Distância (EaD) no Brasil é extremamente importante para a atualidade, visto que durante a pandemia de COVID-19 esse foi o único meio de acesso a educação. Contudo, infelizmente, embora possua o caráter revolucionário, o EaD enfrenta obstáculos que impedem que ele seja amplamente utilizado pela população. Portanto, torna-se necessário modificar essa realidade para impor o quão relevante é esse novo modal.
Nessa contexto, é preciso revelar os motivos que explicam a relevância do ensino remoto. É possível pensar, por exemplo, no conceito de Pedagogia da Autonomia descrito pelo sociólogo Paulo Freire, no qual ele critica as formas tradicionais de ensino e revela a necessidade de criar outras maneiras de aprendizado que sejam adequadas às necessidades de cada indivíduo. Sendo assim, o Ead, além de ser dinâmico, é mais barato que cursos presenciais por não envolver gastos com transporte e alimentação. Ademais, essa modalidade permite horários flexíveis para os alunos, o que possibilita àqueles que trabalham por longas jornadas também terem acesso a educação. Dessa forma, é notável que a educação a distância é uma ferramenta que democratizadora.
Entretanto, há entraves na ampla utilização desse mecanismo, sendo um deles o fato de que, segundo o sociólogo Pierre Lévy, “toda nova tecnologia cria seus excluídos’’. Isso significa que ou a população não tem a informação necessária para utilizar essa aparelhagem ou falta infraestrutura para permitir o acesso desses ao EaD. Para compreender a situação, durante a pandemia do Coronavírus diversas universidades públicas, diferentemente das faculdades particulares, não conseguiram distribuir aulas online tanto por falta de recursos da instituição quanto pelas diferenças socioeconômicas dos alunos. Isso revela que o ensino remoto, embora tenha potencial igualitário, ainda é privilégio da parcela mais rica da Nação.
Portanto, diante do exposto, é imprescindível que o Ministério da Educação em ação conjunta com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações estabeleça subsídio para que todos os estudantes, principalmente da rede pública, tenham acesso ao ensino a distância. Isso poderia ser feito através da criação de programas de capacitação do uso do EaD, por meio de centros de uso comunitários de computadores, com internet de qualidade e com técnicos que promovam a alfabetização tecnológica. Dessa forma, os estudantes teriam acesso relativamente igualitário da educação.