Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 17/06/2020

A obra “Sociedade em rede”, do sociólogo Manuel Castells, ressalta a descentralização do conhecimento, pois é gerado não só por uma fonte, mas uma rede em que há troca de saberes. A partir disso, é possível estabeleber um paralelo com aEducacão a Distância (EAD), já que é uma modalidade de ensino que amplia e flexibiliza a aprendizagem por meio da comunicação virtual. Entretanto, essa também apresenta desafios e pode gerar efeitos negativos a quem pratica, mostrando, assim, a necessidade de discussão dessa temática na sociedade.

A priori, deve-se pontuar a democratização da educação fomentada por esse sistema. A esse respeito, após o surgimento da Globalização, houve uma evolução dos meios de comunicação e das tecnologias da informação, criando a possibilidade de se fornecer e adquirir conhecimentos pela internet. Tal método, presente em cursos universitários, técnicos e complementares ao ensino básico, possibilita flexibilizar a rotina, economizar gastos com a locomoção a uma instituição de ensino, e aprender com profissionais de diferentes lugares. Tudo isso, aliado aos preços acessíveis, faz da EAD uma solução para grupos negligenciados quanto ao direito à educação.

No entanto, é notório algumas consequências negativas advindas da escolha dessa modalidade. Nesse prisma, o filósofo Zygmunt Bauman trabalha a ideia do “eu líquido”, a busca por uma liberdade individual descolada do senso coletivista. Paralelamente, na Educação a Distância, o indivíduo não tem um convívio frequente com colegas e professores, podendo enfraquecer seu desenvolvimento psico-social, já que reduz-se o contato com diferentes realidades, importante no cultivo do respeito e da empatia. Além disso, também poderão ser prejudicadas a habilidade de comunicação, essencial na vida social e profissional, e a transmissão de conteúdos que se da melhor na prática.

Logo, medidas são necessárias para aperfeiçoar a EAD, visando ao beneficiamento de todos. Para tanto, o Ministério da Educação deve investir na qualificação dos métodos e dos profissionais educadores do ensino a distância público, para que não se percam a flexibilidade e a acessibilidade e sejam supridos os prejuízos gerados pela falta de socialização. Isso deve ser feito por meio da ampliação das aulas presenciais, disponibilização de janelas virtuais de interação entre alunos durante as aulas onlines e realização de parcerias com institutos privados experientes na área. Assim, será possível aprender com qualidade e com diferentes métodos e possibilidades, promovendo evolução educacional, cultural e social no país.