Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 19/06/2020

Segundo Platão “a necessidade é  a mãe da invenção”. Partindo desse pressuposto, a educação brasileira na atual crise sanitária ocasionada pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19) impõe que o ensino do país almeje estratégias de continuidade das aulas, até então presenciais. A educação remota é  a opção de reinvenção, ou melhor referindo invenção,  haja vista que as oportunidades paralelas as dificuldades impostas por esse meio de ensino vem gerando discussões entre pais, discentes e docentes.

Antigamente restrita para a atividade bélica, a internet hoje pode ser considerada uma “arma” no combate da desigualdade educacional,  uma vez que abrange um vasto e ilimitado campo de conhecimento. Decerto, com a Revolução Digital no século XX, a educação à distância vem ganhando espaço  no âmbito escolar. Suas interfaces tecnológicas permitem melhor flexibilização de horários, interatividade e dinâmica dos estudos, o que pode auxiliar na democratização do ensino. Entretanto,  esse cenário possui dois lados de uma mesma moeda: igualdade de ensino versus exclusão tecnológica.

Conforme Pierre Lévy, toda tecnologia gera seus excluídos. Certamente a alusão relatada pelo filósofo francês justifica os dados publicados pelos veículos de comunicação no qual 30% dos domicílios brasileiros não possuem internet, e aqueles que detêm lidam com a precariedade na cobertura. Somado a isso, é notório perceber quão reduzido  é o domínio sobre essa tecnologia,  seja por parte de educandos como de educadores, demonstrando que a educação brasileira não está habilitada adequadamente para promover ensino de qualidade à distância,  desequilibrando a balança da igualdade social.

Portanto, para reverter essa situação é de suma importância que políticas públicas sejam implementadas para reduzir a discrepância que existe no que é ofertado e o que é de fato consumido. Para isso, é fundamental que o Governo associado ao Ministério da Educação promovam parcerias com redes de telefonia e internet com o intuito de oferecer internet gratuitamente em locais públicos,  como praças, centros comunitários e  ambientes escolares. Ainda, é  fundamental que haja o preparo adequado de professores por meio de treinamentos e cursos continuados em parceria com ONGs, assim como implementar  na grade curricular de ensino a disciplina de informática, permitindo que os alunos e professores detenham o domínio tecnológico. Só assim, a invenção deixará de ser necessária mas parte complementar do planejamento de educação básica reduzindo assim os excluídos citado por Pierre Lévy.