Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 29/06/2020

Segundo Edgar Morin, sociólogo e filósofo francês, a reforma de pensamento significa reforma de educação. Tendo em vista esse pensamento e o avanço da tecnologia já era de se esperar que a educação a distancia, que já é historicamente presente nas sociedades, fosse aprimorada e mais difundida como opção aceitável de formação. Contudo apenas pouco mais de 28% dos estudantes do Brasil têm acesso a computadores com Internet nas escolas, menos da metade da média global, e considerando que a internet é algo essencial para o ensino a distancia esses dados são alarmantes.

No Brasil a distribuição de renda vem a ser bastante desigual, o que quer dizer que ao mesmo tempo que há pessoas com ótimas condições ainda há várias pessoas morando em favelas com poucas oportunidades de estudo. O número de matrículas na graduação a distância chega a quase 2 milhões, o que representa 21% do total do ensino superior do país, mas e quanto às pessoas sem a estrutura necessária para essa modalidade de ensino? Em geral, pessoas que não tem estrutura necessária para fazer um curso a distancia ou não tem condições para paga-lo trabalham para manter seu sustento e ficam sem ter como estudar numa instituição publica que oferece apenas ensino presencial. Isso faz com que essa pessoa tenha ainda menos oportunidades no futuro por não possuir um diploma e diminui as chances de subir de classe social ou sair da favela por exemplo.

Quanto a parte mais técnica não é surpresa especialistas questionarem a qualidade desse tipo de ensino. É fácil imaginar que entre as muitas instituições que oferecem o ensino a distancia (EAD) alguma não vá cumprir seu papel em dar um boa formação de profissionais. Um professor com diploma que não teve a devida formação, por exemplo, quando passar a lecionar irá ter um forte impacto na educação de muitas outras pessoas. Fora a dificuldade de adaptação, do entendimento do conteúdo e o fato de ainda não ter cursos online em todo lugar. Apesar disso ainda é possível apontar vantagens como a flexibilidade quanto aos horários, a queda do valor das mensalidades e não ter de se preocupar com a locomoção até a instituição durante o período de estudos inteiro.

Em suma, são necessárias medidas que busquem primeiramente nivelar o acesso a estrutura necessária para estudar a distancia para que pessoas com menos condições tenham mais chances conseguir alguma escolaridade, cabendo ao estado a realização de projetos que busquem ao menos a maior acessibilidade de internet, e seguidamente o aprimoramento dos cursos a distancia, de modo a garantir a eficacia desse ensino. Para que assim seja possível um melhor aproveitamento do EAD entre todas as classes sociais até que haja uma nova reforma de pensamento que leve a uma nova reforma de educação.