Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 26/06/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Nota-se que as “pedras no meio do caminho”, como citado pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, do ensino a distância (EAD) no Brasil continuam aparecendo com o passar do tempo, e à medida que vão surgindo, precisam ser retiradas do caminho, em outras palavras, o EAD precisa passar por grandes modificações. Algumas dessas “pedras” aparecem tanto pela deficiência no alcance de tecnologias modernas aos mais pobres, quanto pelo fato de vários cursos precisarem de aulas práticas.
Em primeiro lugar, evidencia-se que o alcance das novas tecnologias, como smartphones e computadores, a famílias de baixa renda é dificultado pelo preço desses materiais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a classe baixa é formada por famílias que possuem renda inferior a R$5,7 mil mensais e é composta por aproximadamente 70% da população brasileira. Dessa forma, é inviável para os desprovidos de essencial quantidade de dinheiro, adquirir bens digitais ou internet, que são mais comumente utilizados para o EAD.
Cabe salientar também que determinados cursos a distância, como os da área da saúde, que são muito procurados e é onde se localiza grande parte dos estudantes do ensino superior, necessitam de aulas práticas, o que fica inexequível com o EAD, já que na maior parte das vezes, o acompanhamento de um ou mais professores é fundamental.
Torna-se evidente, portanto, que o ensino a distância no Brasil precisa passar por modificações a fim de retirar todas as “pedras no meio do caminho” por meio de um trabalho incessante. Para que isso ocorra, deve haver a colaboração entre governo, escolas e instituições públicas e privadas que utilizam esse sistema de ensino, aderindo, principalmente, a mídia como meio de divulgação e realização de projetos e programas que contribuem com as melhorias necessárias do ensino a distância. Com tais medidas será possível promover a melhora da qualidade do EAD no Brasil.